A situação na ocupação do União da Vitória 6 é bastante precária. Os moradores não têm água, energia elétrica ou ruas abertas sobre o morro. Quando chove, como tem ocorrido nos últimos dias, a lama toma conta dos barracos e fica praticamente impossível se locomover no local. As crianças vivem soltas no meio da terra.
Logo acima do morro, alguns moradores improvisaram uma rua para facilitar os deslocamentos na área. ‘‘A gente fez isso na mão. Antes o capim estava alto e ninguém passava’’, afirmou o pedreiro Jorge Gonçalves Pontes, 33 anos, que mora há oito meses no União da Vitória 6, com a esposa, numa casa de madeira e tijolos.
Segundo Pontes, para sobreviver a maioria das famílias puxou água emprestada dos vizinhos, em cavaletes improvisados, e abriu fossas. Para quem quer ter luz, a solução tem sido a utilização de baterias de automóvel.
‘‘Desde que estou aqui vejo o pessoal reclamando e pedindo melhorias para a ocupação. Mas até hoje não teve nada. Por isso resolvemos ir até a prefeitura. É chato fazer isso (sequestrar ônibus) mas foi em último caso. Estava todo mundo cansado de esperar’’, declarou.
Analdina Maria de Jesus, 44 anos, solteira, mora na invasão com quatro filhos (de 10, 11, 14 e 18 anos) há dois anos, e também diz que sofre com a falta de estrutura do local. ‘‘É muito sofrido. Porque antes aqui não tinha nada e agora continua do mesmo jeito, sem apoio de ninguém’’, disse. Ela relatou que invadiu a área porque não tinha condições de pagar aluguel. ‘‘Tenho problema de coluna, de desmaio, e não posso mais trabalhar’’.
Os moradores do União da Vitória 6 esperam que, a partir do movimento de ontem, a prefeitura passe a promover mudanças na ocupação e regularize a situação das famílias. Ninguém pensa em deixar o local. ‘‘Agora, se tiver que sair vamos fazer o quê? Brigar com os mais fortes não vai dar’’, lamentou Jorge Pontes.

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