Água do Karst corre risco de ser poluída
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quarta-feira, 04 de novembro de 1998
James Alberti 
Sem uma política de uso adequado do solo para a Região Metropolitana de Curitiba, pontos de reabastecimento do Aquífero Karst, chamados de dolinas, estão sendo comprometidos e ameaçam a exploração da água subterrânea. Basta dizer que pelo menos 33,3% das dolinas de Colombo estão sob áreas de cultivo agrícola. Segundo o chefe do Departamento de Água Subterrânea da Sudhersa, o geólogo Álvaro Amoretti Lisboa, coordenador do Projeto Karst, nestas áreas são usados insumos agrícolas, considerados a grande ameaça à exploração do Karst juntamente com o lixo doméstico e a explosão demográfica.
Conforme Lisboa, entre 15% e 20% dos 1.500 quilômetros quadrados do aquífero, que estão na Região Metropolitana, possuem grande incidência de dolinas. Estes locais também são preferidos dos agricultores para o plantio, já que são planos.
O geólogo da Sanepar Marcos Guarda reconhece que o risco de poluição do aquífero é muito grande. A contaminação ainda é pequena, mas não há prevenção, diz. O mais grave, conforme ele, é que, se for contaminado, o Karst dificilmente será despoluído em virtude do custo. É inviável economicamente e irreversível, diz.
Na análise de Guarda, o Paraná é beneficiado pelos grandes cordões de rocha, chamados de diques de diabásio, que transformam o aquífero numa infinidade de piscinas subterrâneas isoladas. Esse é o nosso grande trunfo, acredita. Isso porque, segundo o geólogo, os diques impedem que a contaminação de um compartimento, como ele chama as piscinas, chegue a outro.
Não fosse assim todo o Karst já poderia estar comprometido. Segundo o gerente de Hidrogeologia da Sanepar, Arlineu Ribas, responsável pela exploração do aquífero, dois poços em Almirante Tamandaré tiveram de ser abandonados por causa da contaminação.
Outros poços seguem o mesmo caminho. Na localidade de Tranqueira, em Almirante Tamandaré, o cemitério foi construído sobre uma dolina. A Sanepar diz que a água não foi contaminada ainda, mas aguarda estudos para confirmar se a decomposição dos corpos pode comprometer a exploração.
Os estudos devem indicar se o cemitério está instalado sobre a dolina que reabastece o poço do qual bebe a comunidade. O que a Sanepar quer saber é se a dolina e o poço estão no mesmo compartimento.
Embora não seja uma área de exploração, à beira da Rodovia dos Minérios, uma dolina está prestes a ser aterrada por entulhos, pedras e restos de construção. No local, prevê Guarda, deve ser levantada um edificação, que certamente terá sérios problemas no futuro.
Com bastante água, a dolina aparece a poucos metros de uma dezena de casas, das quais se tornou depósito de lixo doméstico e esgoto. Segundo o geólogo da Sanepar, o local está descartado para o abastecimento. Além da contaminação, a proximidade com as residências e da rodovia poderiam trazer problemas.


