Água do Ipagó está sem análise há um ano
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quinta-feira, 13 de outubro de 2005
Silvana Leão<br> Reportagem Local 
A combinação ''semana do saco-cheio'' com o calor - os termômetro marcavam ontem até 34 graus - levou um grande número de pessoas à barragem do Lago Igapó nos dois últimos dias, transformando o cartão postal da cidade em uma espécie de grande piscina pública. Ontem à tarde cerca de 20 crianças e adolescentes nadavam no local, ignorando um dado preocupante: há pelo menos um ano a água do lago não é submetida a análise físico-química para checar se oferece condições de banho. Segundo o Instituto Ambiental do Paraná (IAP), a chamada balneabilidade era monitorada frequentemente através de um convênio com o município, que não foi renovado.
Com isso, a água do Igapó que recebe resíduos que ''escorrem'' das ruas em dias de chuva e de possíveis esgotos clandestinos pode estar contaminada, por exemplo, com coliformes fecais e produtos químicos, mas não há laudo que confirme estas informações e que possa servir de alerta à população. ''Eu não sabia que esta água pode estar contaminada. Acho que a maioria das pessoas não sabe. Vim aqui outro dia e vi tanta criança nadando que achei que não tinha problema'', revelou a funcionária pública Iracy Bernardino, 59 anos, que ontem descansava em uma sombra enquanto o filho de nove anos se deliciava na água.
A dona de casa Mariana da Silva Caberlin, 40 anos, foi para o lago no início da tarde acompanhada de dois filhos e dois sobrinhos, de cinco a dez anos. Questionada sobre a qualidade da água onde os garotos estavam se banhando, ela disse saber que não é das melhores, e disse que não ia deixar que eles abusassem. ''Vou ficar só um pouquinho, logo vou embora'', garantiu.
O chefe regional do IAP, Ney Paulo, informou que o Instituto não foi procurado para a renovação do convênio que garantia o monitoramento da água do lago. ''De qualquer forma, as pessoas precisam estar cientes de que a função do lago é de ornamentação, e não um local para banho. Eu não aconselho ninguém a nadar ali. Praticamente nenhuma das análises feitas até hoje no lago acusaram balneabilidade.''
O assessor do Núcleo de Recursos Hídricos da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Sema), João Batista Moreira Souza, afirmou que as análises da água do lago por parte do IAP não acontecem desde 2003, embora considere que a responsabilidade por este tipo de monitoramento em todo o Estado seja do Instituto. ''Hoje em dia o único trabalho de controle é o que eu faço diariamente, nas principais galerias e nascentes. Tanto município como Estado estão falhando'', analisou.
Souza lembrou que o Ribeirão Cambezinho, que forma o lago, é o único ''classe 1'' existente até o Parque Arthur Thomas (Zona Sul), o que significa dizer que, teoricamente, seria o único que permitiria o uso para recreação de contato primário (banhos e mergulhos). Esta classificação, segundo o assessor da Sema, deveria exigir mais cuidado com o manancial.
Os bombeiros também alertam para o perigo de afogamento. ''No meio da barragem a profundidade chega a uns seis metros. A área é bastante irregular, afunda de repente, e como a água é escura, não dá para enxergar o fundo. Fazemos rondas no local três ou quatro vezes ao dia, mas é só a gente sair que o pessoal volta.''
De hoje para amanhã o movimento deve diminuir no Igapó. Segundo o Sistema Meteorológico do Paraná, uma frente fria que chega pelo Sul vai trazer pancadas de chuva e queda de temperatura.


