Água do Igapó oferece riscos de doenças
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quinta-feira, 27 de outubro de 2005
Silvana Leão<br> Reportagem Local 
A água do Lago Igapó está contaminada por coliformes fecais. Em alguns pontos, como na ponte da Avenida Higienópolis, o índice está acima do permitido pela legislação brasileira, criticada por pesquisadores que a consideram excessivamente permissiva. A constatação da contaminação está em análise físico-química e bacteriológica feita pelo Serviço Brasileiro de Análises Ambientais - Químicas e Ambientais (Sebraq) a pedido da Folha.
A preocupação em analisar a água do lago surgiu de reportagem publicada no dia 14, revelando que há pelo menos um ano a água não é examinada para checar se oferece condições de banho.
Durante vários anos os exames eram realizados pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP) através de um convênio com o município, que venceu no ano passado e não foi renovado. Sem análise, não há como alertar a população para o perigo de nadar em água contaminada.
O alerta de perigo vem de professores do Departamento de Microbiologia da Universidade Estadual de Londrina (UEL), que tiveram acesso aos laudos da análise da água. ''Onde há contaminação fecal há possibilidade de existir vírus como o da hepatite A e rotavírus, além de protozoários e ovos de vermes (helmintos)'', afirma a professora Jacinta Sanchez Pelayo, que há cerca de 15 anos monitorou, durante um ano, a água do lago para teses de mestrado e trabalhos de iniciação científica. Já naquela época ela comprovou a presença de batérias patogênicas altamente danosas para a saúde humana, como a Salmonella e a Shigela.
Para os pesquisadores, os riscos não estão apenas nos banhos. ''Há alta probabilidade dos peixes também estarem contaminados, e o perigo é ainda maior quando a carne é consumida crua'', avisa Jacinta.
Segundo a professora Halha O. Saridakis, também da UEL, o Igapó pode ser inserido na classe 2 dentro dos critérios de água doce do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama). Os mananciais inseridos nesta classificação são aqueles em que há contato primário com a água (banhos e mergulhos) e o limite imposto pela legislação é de 1.000 Unidades Formadoras de Colônia (UFC) por 100 mililitros (ml) de água. ''Temos uma legislação bastante branda. Só para se ter uma idéia, foi feito um estudo nos Estados Unidos em que se constatou que apenas 123 bactérias Escherichia coli que é indicadora de contaminação fecal por 100 ml já pode já gerar um surto de hepatite A'', lembra a professora.
Os resultados da análise físico-química mostraram que em alguns pontos, como próximo da barragem localizada na Rua Almeida Garret, os índices de oxigênio dissolvido estão baixos, o que significa, de acordo com o professor Marco Antonio Nogueira, da UEL, que este oxigênio pode ser rapidamente consumido e, se faltar, causar a mortandade de peixes. ''Pode também ser um sinal de descarte de materiais orgânicos, que podem ter sido trazidos pela chuva'', completa o professor.
Além da ponte da Higienópolis e da barragem, o Sebraq recolheu amostras de cinco pontos dos Lagos Igapó I e II: no Córrego do Leme; em frente ao anfiteatro do Igapó e nas proximidades do Corpo de Bombeiros (Igapó II). As amostras foram recolhidas no último dia 17, e o ponto mais problemático, segundo o exame, é também um dos preferidos dos pescadores a ponte da Higienópolis. Ali, o índice de coliformes fecais foi o mais alto de todos: 1.940 UFC por 100 ml.
Nas imediações do Corpo de Bombeiros e na barragem a contaminação também foi considerada alta, com 1.245 UFC e 1.210 UFC, respectivamente. Os pontos menos problemáticos em termos bacteriológicos, segundo a análise, foram o Córrego do Leme e em frente ao anfiteatro do Igapó, com 1.054 UFC e 845 UFC, respectivamente. ''Podemos dizer que nenhum ponto do lago é recomendado para banho'', afirmam os químicos industriais responsáveis pela análise, Keila Pinzan Sponton e Jorge De Oliveira Hata Júnior.


