Vânia Moreira
De Umuarama
A Vigilância Sanitária de Umuarama está pesquisando a qualidade da água de uma mina localizada nos fundos do Parque Dom Pedro II. Centenas de pessoas estão consumindo a água da mina, à qual atribuem poderes milagrosos de cura. O laboratório mantido pela Sanepar e Universidade Paranaense (Unipar) analisou duas amostras por métodos diferentes e obteve resultados contraditórios. Ontem, a Sanepar colheu nova amostra da água para mais uma análise. Segundo os técnicos do laboratório, a mesma amostra será submetida à analise pelos dois métodos para comparar os resultados. Os exames devem ficar prontos amanhã.
Todos os dias, dezenas de pessoas visitam a mina para se lavar ou beber água da fonte que acreditam ter poderes milagrosos. A romaria começou em janeiro, quando algumas pessoas passaram a relatar que teriam se curado de doenças usando a água da mina. Moradores de outras cidades já chegaram a organizar caravanas para buscar água no local. O consumo da água sem tratamento preocupou a Vigilância Sanitária que solicitou os exames.
A primeira análise feita pelo sistema de tubos múltiplos apontou a existência de bactérias e alterações químicas que tornam a água imprópria para consumo humano. O primeiro teste apontou a presença de coliformes totais (bactérias de origem não-fecal) na proporção de 16 PPMs (parte por milhão). A contaminação máxima tolerada é de 2,2 PPM. Segundo os técnicos do laboratório, a análise não apontou a existência de coliformes fecais, mas o exame químico indicou a presença de 10,14 miligramas de nitrato por litro de água. O nitrato é uma substância química presente em fezes e urina e a quantidade máxima aceitável é de 10 miligramas por litro.
Segundo os técnicos da Sanepar e da Unipar, a segunda análise acusou contaminação por coliformes totais inferior a 2,2 PPM, mas não foi pesquisada a composição química. Por isso, serão feitos novos testes de contaminação bacteriológica e de composição química com ambos os métodos de pesquisa. A técnica da Vigilância Sanitária, Renata Petito, disse ontem que, se a dúvida persistir, o município poderá encaminhar amostras para análise em laboratórios de São Paulo. ‘‘Se ficar comprovado que a água está contaminada, nós vamos interditar a mina’’, adiantou Renata.
A notícia de que a água pode estar contaminada não assustou os fiéis. As pessoas continuam enchendo latas e garrafas de água para levar para casa. Nem todos tomam a água por acreditar que cura e sim porque acha mais pura que a água tratada da Sanepar. Moradora no bairro, a dona de casa, Maria Aparecida Alves Silva, 44 anos, diz que bebe água da mina há quase sete anos, desde quando a fonte não era ‘‘famosa’’. ‘‘Se a água estivesse contaminada, eu já teria morrido’’, ironizou. Ela diz que a água tem um sabor adocicado, ‘‘muito melhor que a água da Sanepar’’.
Os técnicos da Unipar e Sanepar pesquisaram a água de três minas existentes no local. A ‘‘mina milagrosa’’ localizada na margem do rio próxima ao bairro foi a única que apresentou alto índice de impurezas e alteração química na primeira amostra. As outras duas fontes, na margem oposta do rio, ficaram dentro dos limites toleráveis, em ambos os testes.Resultados de exames saem amanhã;
centenas de pessoas em Umuarama
atribuem à água poderes de cura
Arquivo FolhaComposiçãoDesde janeiro, uma verdadeira romaria de pessoas visita a mina, acreditando que a água tem poderes de cura; alguns chegam a levar para casa para beber ou banhar-se; Sanepar está investigando suspeita de contaminação

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