A cidade era a capital mundial do café, mas por que não poderia ser também a capital da cerveja? Esse era o pensamento que norteava o empreendedor português Fausto Tavares, pai da economista Maria Conceição Tavares, radicada no Rio de Janeiro, ex-deputada federal e atual professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Assim, nascia em 1952, a Maltaria e Cervejaria Londrina. No entanto, ''maltaria'' ficou apenas no nome. Os senhores do café não se animaram a plantar cevada no lugar do ''ouro verde''. Em 1956, a produção de cerveja passou a ser regular, produzindo a Londrina Chopp - cerveja clara - e a Chopin - cerveja preta. O nome da cidade também estava na linha de refrigerantes.
Um dos maiores orgulhos do pessoal da fábrica se deu na Exposição de Londrina de 1964, quando o presidente Castelo Branco experimentou a Londrina Chopp. Em 1967, a Companhia Cervejaria Skol Paranaense assumiu a fábrica londrinense e, em 1980, a Companhia Cervejaria Brahma tomou o controle acionário da Skol.
Ainda hoje morando em frente à cervejaria, José Tondelli, 75 anos, o ''Coco'', é só nostalgia do lugar onde começou a trabalhar ainda rapaz, aos 18 anos, e no qual ficou até a aposentadoria, em 1987. Durante a entrevista para a FOLHA, ele exclamou quase uma dúzia de vezes a frase: ''É uma pena isso aqui ter fechado''.
Ele recorda que oito poços artesianos, com mais de 100 metros de profundidade, garantiam a água para a cerveja londrinense. ''E era da melhor qualidade. A Londrina Chopp não ficava devendo nada para a Skol. Até a Coca-Cola, na década de 1960, resolveu engarrafar o refrigerante mais famoso do mundo aqui. Eles mandavam o extrato de avião. Eu ia no aeroporto buscar. Aqui o extrato era misturado à água na dose certa e a Coca-Cola era engarrafada. Depois, quando veio a Skol, o pessoal continuava a elogiar a nossa água. Isso sem falar do chope que a Skol produzia aqui'', explica Coco.
Andando pela fábrica, Tonelli vai abrindo seu baú e contando como tudo funcionava. ''O ritmo era intenso. Aqui dentro era uma loucura. A produção tinha várias etapas, desde a moenda da cevada até a mistura dos ingredientes: cevada, gluten, açúcar e lúpulo num enorme recipiente de inox. Como eu morava em frente à firma, não tinha sossego. Minha função era de plantonista, tinha que resolver todos os imprevistos. Em várias madrugadas saía às pressas atrás dos mecânicos porque algo tinha que ser reparado'', comenta.
Clemente Simão Ávila, que foi o encarregado dos mecânicos de 1969 a 1984, confirma. ''Acordei muitas vezes com o 'Coco' me chamando'', relembra ele, que atravessava um enorme cafezal para ir do Jardim Morumbi até a fábrica, numa distância de um quilômetro. Nesse trajeto atualmente só há asfalto e casas. (W.S.)

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