Água brota em casas no Distrito de Maravilha
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 26 de janeiro de 2016
Vítor Ogawa<br>Reportagem Local 
Os problemas decorrentes do excesso de chuva ainda preocupam moradores de Londrina. No Distrito de Maravilha, na zona sul, a água tem brotado em casas construídas em áreas de minas pela Companhia de Habitação (Cohab-Ld).
Um dos casos mais graves é o da dona de casa Rita Helena Hortêncio Neves, de 62 anos, que usa muletas para se locomover e tem dificuldade para remover a água da própria casa. O líquido surge no quintal e na cozinha e ela precisa secar o imóvel a cada meia hora. "A gente fica fragilizada. Os vizinhos têm me ajudado a remover a água, mas é uma situação muito desgastante", revelou. Ela, que mora sozinha, teve de retirar os móveis e eletrodomésticos da cozinha com o auxílio dos vizinhos para que o prejuízo não fosse maior. Dessa forma, Rita ficou impossibilitada de cozinhar. Mais uma vez, passou a contar com a ajuda de vizinhos que têm fornecido marmitas para a idosa. A maior preocupação é o risco de queda, já que a água torna a superfície muito lisa.
A situação, no entanto, não é nova. Segundo Rita, que mora no local desde 2000, sempre que ocorre uma chuva mais forte a cena se repete. Tanto que ela já reclamou na Cohab-Ld e no Ministério Público, solicitando uma solução definitiva.
Vizinha de Rita, a dona de casa Márcia Lima, de 54 anos, destacou que a fossa sanitária foi invadida pelas águas dessa mesma mina. Márcia teme que o líquido invada a casa. Para tentar conter o problema, o marido dela instalou um cano na boca da fossa e o interligou a uma valeta do outro lado da rua.
Na casa de outro vizinho, Heraldo Pereira de Souza, de 42 anos, a umidade está destruindo o reboco da parede da casa e formando mofo. Tanto que ele foi obrigado a cavar uma trincheira no quintal, que foi ligada a uma trincheira no terreno vizinho. "Causou um prejuízo grande. Vou ter que fazer o reboco de novo e pintar toda a casa", declarou.
O presidente da Companhia de Habitação de Londrina (Cohab-Ld), José Roberto Hoffman, informou que o loteamento foi construído há 15 anos e sem infraestrutura. Ele explicou que os moradores pagavam prestações de R$ 20 pelo imóvel e os valores pararam de ser cobrados. "Essas casas fazem limite com plantações de soja e tínhamos solicitado aos proprietários rurais que eles fizessem curvas de nível para conter as águas, mas a chuvarada dos últimos dias destruiu essas curvas de nível", justificou. Ele afirmou que será necessário realizar um projeto para a implantação de galerias pluviais com valetas de drenagem preenchidas com pedra. "Não há solução a curto prazo", expôs. Ele acrescentou que a prioridade neste momento é fazer obras mais urgentes. "Nós estamos com toda a equipe na rua. Recebemos cerca de 500 requisições de vistoria de problemas decorrentes da chuvarada", afirmou.
ACESSO
O acesso ao Distrito de Maravilha foi recuperado de maneira emergencial para que a população não ficasse isolada. As cabeceiras da ponte sobre o Rio Gaviãozinho, que haviam sido levadas pelas águas, já foram recolocadas. Trechos da estrada que estavam destruídos receberam brita, permitindo a circulação de carros e de caminhões. O serviço de coleta de lixo domiciliar chegou a ser interrompido em função desses estragos e os resíduos recolhidos foram encaminhados ao antigo aterro do Limoeiro, na zona leste, durante a recuperação da estrada que dá acesso à Central de Tratamento de Resíduos.


