Agrovilas vão abrigar sem-terra
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quarta-feira, 02 de julho de 1997
Edmara Michetti Londrina 
Até o final do mês, 210 famílias de sem-terra deverão estar oficialmente assentadas na fazenda RR, em Tamarana (60 quilômetros ao sul de Londrina). Um grupo de sete técnicos do Instituto de Colonização e Reforma Agrária (Incra) estão na RR desde ontem fazendo o estudo de seleção dos 330 sem-terra que ocupam a fazenda desde o final do ano passado.
As 120 famílias que não tiverem perfil para permanecer no assentamento vão paras outras três fazendas próximas - Transparaná, Santa Paula e Gaúcha - que já têm a imissão de posse.
O assentamento na RR vai seguir um novo modelo - as agrovilas. A definição foi feita numa reunião de representantes da regional Norte Novo do Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST) e a chefe do Incra, Maria de Oliveira. A reunião, que começou às 18 horas de terça-feira, durou oito horas.
Desenvolvido por integrantes do MST e agrônomos do governo do Estado, o projeto estipula a divisão dos sem-terra em sete agrovilas de cerca de um alqueire, com 30 famílias cada, e casas distantes entre 20 e 30 metros. Serão sete núcleos de produção, explica o líder do MST, Josmar Choptian.
Cada agrovila vai desenvolver uma linha de produção comunitária. Na RR, segundo Choptain, os assentados trabalharão com piscicultura, apicultura, gado de leite, gado de corte, horticultura, cultivo de grãos e de frutas. Cada núcleo de produção terá, segundo Choptian, cerca de 250 alqueires para trabalhar.
Toda a estrutura da RR que - diferente das demais fazendas a serem usadas para reforma agrária na região - conta com armazéns, cilos, secador e balanção, entre outros equipamentos, será usada para a industrialização dos produtos para o consumo no próprio local. Assim, explica Choptian, o milho produzido vai ser industrializado no local e repassado para criadores de gado. Vamos priorizar o processo agroindustrial de produção interna e depois a comercialização externa, diz Choptian. Dois agrônomos que estão na área com os acampados devem dar suporte ao trabalho dos assentados.
Os recursos do Incra para o começo do desenvolvimento das atividades na RR devem ser repassados, segundo estimativa de Choptian, dentro de 15 dias. Cada uma das 210 famílias receberá quatro parcelas de aproximadamente R$ 2.100,00. As parcelas serão repassadas conforme o desenvolvimento do projeto. O dinheiro para a construção das casas deve vir de um crédito especial que destinou R$ 2,3 mil para cada imóvel. As casas serão construídas pelos próprios assentados em esquema de mutirão. Mas esse dinheiro só deve chegar numa segunda etapa do projeto.


