Agrotóxicos
são usados para
suicídio
Suicídios por envenenamento são responsáveis por 33% das mortes relacionadas ao uso de agrotóxicos por agricultores do Paraná, revela estudo feito na última década pela bióloga Gisélia Rubio, da Secretaria de Estado da Segurança Pública. Conforme outro levantamento, realizados em 1997 e 1999, houve 145 mortes por intoxicação no Estado. Do total, 89% foram suicídios. Nas fichas de registros das mortes, a bióloga conseguiu indícios das causas das tragédias: perda da lavoura, falta de dinheiro para pagar empréstimos em bancos, brigas familiares.
Outro indício, segundo Gisélia, são estudos feitos nos Estados Unidos e em alguns estados brasileiros que mostram que o uso prolongado de um grupo de agrotóxicos pode provocar depressão. Esta, pode levar ao suicídio. ‘‘É difícil fazer análise, mas os fatos são alarmantes’’, afirma a bióloga. A proximidade e o contato com o agrotóxico são, segundo ela, os motivos que levam os agricultores a escolher o veneno como método de busca da morte.
Um fato que surpreendeu Gisélia é o suicídio de três menores de 14 anos entre as 145 mortes analisadas no estudo. No restante, 40 suicidas tinham entre 15 e 29 anos; 20 tinham entre 30 e 44 anos; 28 entre 45 e 59 ano; e 21 pessoas tinham mais de 60 anos.
Como forma de reduzir as mortes e as intoxicações, a bióloga defende a redução ainda maior do uso do veneno agrícola e a utilização de culturas alternativas. Para ela, devem ser feitos também incrementos nos métodos de orientação ao agricultores. ‘‘Precisa de um trabalho orientação mais de perto’’, acredita.

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