Rótulos são sempre preocupantes. Não raro, induzem à generalização e ao preconceito contra indivíduos ou classes. A notícia veiculada com ênfase sobre a apreensão de 300 quilos de cocaína, atribuída a um ‘agropecuarista’ é um destes exemplos. Há nesta informação alguns equívocos que precisam ser corrigidos. Em primeiro lugar, o simples fato de alguém ser proprietário de terras não o torna agropecuarista. Agropecuarista é aquele que produz, que, no seu dia-a-dia, se preocupa com o plantio e com a criação do gado, que enfrenta problemas com a chuva ou com algum animal doente. É um conceito associado ao trabalho e não à posse pura e simples.
Uma coisa é o proprietário, que é dono de terras como também é dono de imóveis na área urbana. Outra, bem diferente, é a denominação aplicada a quem exerce a atividade, a quem produz.
E cumpre esclarecer ainda que a pessoa a quem se atribui a responsabilidade pelas drogas apreendidas em Londrina é, antes de tudo, um advogado, mas nem por isso foi citado como tal.
Como no passado recente os termos fazendeiros e agropecuaristas foram amplamente utilizados de forma pejorativa, como se encerrassem em si uma nomenclatura danosa à sociedade, sinônimo de latifundiários e tantos outros rótulos, gostaríamos de fazer este esclarecimento antes que outro rótulo nos seja impingido.
E, segundo consta no Aurélio, ‘agropecuarista é a pessoa que se dedica à agropecuária’ que, por sua vez, é descrita no dicionário como teoria e prática da agricultura e pecuária nas suas relações mútuas.
- Walter Marinho Falcão é diretor financeiro da Sociedade Rural do Paraná

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