Agropecuarista é indiciado no caso Estela
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sexta-feira, 23 de março de 2001
Silvana Leão De Londrina 
O delegado-operacional da 10ª Subdivisão Policial (SDP) de Londrina, Jurandir Gonçalves André, informou ontem que o inquérito aberto para apurar a morte da professora Maria Estela Pacheco, em 14 de outubro do ano passado, foi concluído. O agropecuarista Mauro Janene Costa será indiciado como autor do crime. André pretende enviar seu relatório ao Ministério Público dentro de sete a oito dias.
Além do homicídio, Costa será responsabilizado por dois outros crimes: alteração do local do crime (o corpo da professora foi jogado do 12º andar do edifício para simular queda, mas o laudo da perícia técnica mostrou que Estela foi morta dentro do apartamento) e porte de maconha. O delegado adiantou, porém, que não pedirá a prisão preventiva do agropecuarista. Entendo que ele não tem os requisitos necessários para isso, como antecedentes criminais, e deverá responder ao inquérito em liberdade. A não ser que a promotoria peça sua preventiva, disse André.
Na última quarta-feira, o delegado pediu que Mauro Janene prestasse novo depoimento, já que foram encontrados vestígios de maconha em um cinzeiro que estava no apartamento. O agropecuarista negou que tivesse consumido a droga no dia do crime, afirmando ter fumado maconha apenas na véspera.
Durante o depoimento, a polícia também questionou se a ex-mulher de Costa teria sido induzida a consumir drogas durante o casamento, como afirma a família dela. De acordo com Jurandir André, Costa também negou. Tentamos estabelecer um vínculo entre esta possibilidade e os crimes em questão, mas não foi possível, afirmou o delegado.
Maria Estela Pacheco foi morta no Edifício Diplomata, localizado na Rua Paranaguá (área central). Seu corpo foi jogado do 12º andar às 5h40. Mauro Janene Costa, que estava com ela no apartamento da família dele, declarou ao delegado de plantão, Algacir Ramos, que estava brincando com a professora na sacada quando ela caiu.
O inquérito aberto para apurar o caso foi marcado por contradições e evidências de falhas. No dia 6 de dezembro, a Folha publicou matéria lembrando a lentidão das investigações e mostrando algumas destas evidências, como o fato da necrópsia ter sido realizada apenas 15 dias depois da morte e a demora (32 dias) para ouvir o único suspeito do crime.


