B O I G O R D O
Vantagens sobre a agricultura
Nos últimos dois anos, os preços de mercado para a pecuária de corte têm sido melhores do que aqueles vigentes para a maioria das outras atividades agropecuárias conduzidas no país.
Em termos de preços recebidos, a melhor situação relativa da pecuária de corte sobre outras atividades agropecuárias será apresentada, nesse artigo, através de um comparativo entre a evolução dos preços do boi gordo e dos preços de outros produtos agropecuários no Estado do Paraná. A evolução da paridade entre os preços está expressa na tabela 1. Ela apresenta, para os últimos 15 anos, a evolução da quantidade de alguns produtos agropecuários possíveis de serem adquiridos com o valor de uma arroba de boi gordo. São eles, pela ordem: algodão, café, feijão, milho, soja, suíno e frango.
Boi versus algodão
A primeira coluna da tabela (com dados) registra o número de arrobas de algodão correspondente ao valor de uma arroba de boi gordo ao longo do tempo.
Neste primeiro trimestre de 2001, o valor de uma arroba de boi gordo correspondeu a 4,46 arrobas de algodão. No ano passado, a relação de preços entre os dois produtos foi de 4,18. Esses valores são bem superiores aos observados nos períodos de 1985-89 (3,56), 1990-94 (4,13) e 1995-99 (3,40), indicando uma expressiva melhoria, nos últimos anos, da situação econômica da pecuária de corte com relação à cotonicultura.
Boi versus café
Na segunda coluna da tabela podem ser observadas as quantidades de café (em quilos renda) possíveis de serem adquiridas com a venda de uma arroba de boi gordo.
Depois de passar pelo seu pior momento em 1997, quando uma arroba de boi gordo adquiria apenas 9,07 quilos renda de café, o boi gordo passou a ter expressiva valorização frente ao café. No ano passado, a relação de preços entre os dois produtos foi de 17,04 e, nesse primeiro trimestre de 2001, atinge a marca de 22,92. Um ganho de 152% para o boi gordo nos últimos 4 anos.
Boi versus feijão
A terceira coluna da tabela registra o número de sacas de feijão preto correspondente ao valor de uma arroba de boi gordo ao longo do tempo.
Neste primeiro trimestre de 2001, o valor de uma arroba de boi gordo correspondeu a 1,06 sacas de feijão preto, o terceiro melhor valor da série em análise. Esse valor é bem inferior ao observado no ano passado, quando uma arroba de boi gordo chegou a valer o recorde de 1,60 sacas de feijão, mas superior àqueles observados nos períodos de 1985-89 (0,90), 1990-94 (0,93) e 1995-99 (0,79).
Boi versus milho
A paridade entre os preços do boi gordo e do milho indica o melhor momento para a pecuária dos últimos 15 anos. Nunca se pode comprar tanto milho como agora, em função dos baixíssimos preços desse cereal no momento.
Na quarta coluna de dados da tabela podem ser observadas as quantidades de milho (em sacas) possíveis de serem adquiridas com a venda de uma arroba de boi gordo. Nos últimos três quinquênios, a paridade média de preços entre os dois produtos oscilou na estreita faixa entre 3,56 (1985-89) e 3,67 (1990-94). Isso indica uma valorização relativa de 50% do boi gordo frente ao milho, se comparadas às situações vigentes neste primeiro trimestre de 2001 e à média dos últimos 15 anos.
Boi versus soja
Na quinta coluna da tabela podem ser observadas as quantidades de soja (em sacas) possíveis de serem adquiridas com a venda de uma arroba de boi gordo.
Neste primeiro trimestre de 2001, o valor de uma arroba de boi gordo correspondeu a 2,34 sacas de soja, um dos melhores momentos para a pecuária nos últimos 15 anos. Esse valor é semelhante ao observado no ano passado (2,26), mas bem superior àqueles observados nos períodos de 1985-89 (1,81) e 1995-99 (1,88).
Boi versus suíno
Apesar das recentes altas nos preços do suíno, o boi gordo manteve sua valorização frente a esse animal durante o primeiro trimestre de 2001.
A relação de preços entre os dois produtos, neste primeiro trimestre de 2001, correspondeu a 36,88 quilos de suíno para cada arroba de boi gordo. No ano passado, a relação de preços entre os dois produtos foi de 35,30. Esses valores são bem superiores aos observados nos períodos de 1985-89 (26,12), 1990-94 (31,74) e 1995-99 (29,78), indicando uma expressiva melhoria, nos últimos anos, da situação econômica da pecuária de corte relativamente à suinocultura.
Boi versus frango
Dos produtos em análise nesse artigo, o milho e o frango são aqueles que apresentam, no momento, os piores desempenhos frente ao boi gordo para o período analisado. Neste primeiro trimestre de 2001, a exemplo dos dois anos anteriores, a paridade entre os preços do boi gordo e do frango ultrapassou a casa dos 45 quilos de frango para cada arroba de boi gordo.
Nos três quinquênios anteriores, vale ressaltar, a valorização do boi gordo foi contínua frente ao frango, reforçando a tese de que carne de frango é a principal concorrente da carne bovina ao nível de varejo. Os valores da paridade entre os preços do frango e do boi gordo ao produtor paranaense estão na última coluna da tabela, e passaram de 31,70 no período 1985-89, para 36,78 no período 1990-94 e para 38,56 no período 1995-99.
TABELA - QUANTIDADE DE ALGUNS PRODUTOS AGROPECUÁRIOS POSSÍVEIS DE SEREM ADQUIRIDOS COM O VALOR DE UMA ARROBA DE BOI GORDO, 1990-2001.
algodão - café - feijão - milho - soja - suíno - frango
ANO - arroba - Kg/renda - sc60Kg - sc60Kg - sc60Kg - Kg vivo - Kg vivo -
1.990 - 4,26 - 25,83 - 0,91 - 3,66 - 2,62 - 30,67 - 32,91
1.991 - 3,90 - 26,78 - 0,94 - 3,25 - 2,04 - 28,36 - 33,16
1.992 - 4,35 - 29,39 - 0,97 - 3,48 - 1,87 - 33,01 - 36,52
1.993 - 4,17 - 25,59 - 1,05 - 3,69 - 2,07 - 32,27 - 38,73
1.994 - 3,98 - 13,68 - 0,78 - 4,27 - 2,34 - 34,41 - 42,56
1.995 - 3,73 - 11,84 - 0,84 - 4,16 - 2,33 - 29,52 - 38,18
1.996 - 3,03 - 12,52 - 0,91 - 2,96 - 1,58 - 30,63 - 32,60
1.997 - 2,80 - 9,07 - 0,69 - 3,86 - 1,51 - 25,37 - 36,94
1.998 - 3,66 - 11,60 - 0,50 - 3,64 - 1,99 - 31,00 - 39,97
1.999 - 3,78 - 13,86 - 1,00 - 3,60 - 1,99 - 32,40 - 45,11
2000 - 4,18 - 17,04 - 1,60 - 3,53 - 2,26 - 35,30 - 47,60
2001 (*) - 4,46 - 22,92 - 1,04 - 5,40 - 2,34 - 36,88 - 47,44
MÉDIAS - - - - - - -
1985-89 - 3,56 - 16,35 - 0,90 - 3,56 - 1,81 - 26,12 - 31,70
1990-94 - 4,13 - 24,26 - 0,93 - 3,67 - 2,19 - 31,74 - 36,78
1995-99 - 3,40 - 11,78 - 0,79 - 3,65 - 1,88 - 29,78 - 38,56
FONTE: AGROMARKET.
(*) até 27 de março.
Obs: paridade entre os preços ao produtor.
José Roberto Canziani- Prof da UFPr
e-mail: [email protected]
M I L H O
Preço ainda abaixo do mínimo
Geralmente o mês de março é marcado pela redução no preço do milho em função da colheita. Este ano não foi diferente, ao menos na primeira quinzena. Nas últimas duas semanas o preço começou a reagir apresentando alta de 1,4%, atingindo média no Estado de R$ 7,20/saca no início desta semana.
Apesar do aumento, o preço no Estado ainda está abaixo do preço mínimo estabelecido para o milho este ano, que é de R$ 7,28/saca, mas agora está mais próximo deste patamar.
Três fatores permitiram esta ligeira recuperação no preço: o avanço da colheita da soja e redução dos trabalhos de colheita do milho; as exportações de milho que continuam acontecendo com diversos embarques programados para este mês e os leilões de Opções e PEP. Até o dia 23 foram adquiridos 37.583 contratos de opção de venda (1.014.741 toneladas) e outras 107.223 toneladas foram negociadas em leilões de PEP. Além disso, o governo está disponibilizando recursos para aquisição de milho (AGF). Para o Paraná, o montante de recursos anunciado é de R$ 9 milhões, valor suficiente para adquirir pouco mais de 74 mil toneladas.
Com preço baixo e estas tentativas de elevação do preço do milho, os produtores que podem estão esperando para vender. A pesquisa de comercialização da safra pelos produtores paranaenses realizada semanalmente pelo DERAL mostra que até meados da semana passada, 15% da produção tinha sido comercializada. Na média dos últimos cinco anos, o percentual comercializado é de 20%. No entanto, como a produção este ano é maior, o volume de produto comercializado (1.245 mil toneladas) é semelhante ao volume médio dos últimos anos.
A colheita está adiantada, com 52% da área plantada (1.835.080 mil hectares) efetivamente colhida até o dia 19 de março. Apenas em 1997 o percentual colhido foi semelhante ao deste ano, e com uma área um pouco maior do que a desta safra. O plantio do milho safrinha está dentro da média, com 69% plantados (área estimada, por enquanto, em 898 mil hectares, com redução de 20,8% em relação ao ano passado).
A desvalorização do real no primeiro trimestre deste ano também está colaborando na recuperação dos preços do grão, mas o mercado externo continua não ajudando os produtores brasileiros. Na penúltima semana do mês de março, a cotação do milho na Bolsa de Chicago para julho deste ano voltou a cair, girando em torno de U$ 0,217 bushel (US$ 85,50/tonelada), com redução de 3,6% em relação aos valores praticados em fevereiro e voltando aos valores mais baixos deste contrato, observados em setembro do ano passado.
Pelas ações do governo, exportações e redução temporária na oferta de milho, os preços não devem cair a curto prazo, tendo espaço para subir. Tempo de paciência para quem puder esperar e vender mais tarde.
Vania Di Addario Guimarães - Profª da UFPr
e-mail: [email protected]
T R I G O
Desvalorização do real favorece produtor brasileiro
O ano passado foi péssimo para os produtores paranaenses de trigo em razão das geadas. Como houve problemas no recebimento do Proagro, havia expectativa de que a área de trigo no Paraná voltasse a reduzir. A pesquisa de intenção de plantio do DERAL de fevereiro mostra que isto não deve acontecer. A área está estimada em 760 mil hectares, praticamente igual à área plantada no ano passado (762,8 mil hectares).
O cenário ainda pode mudar e a área efetiva ser superior aos números iniciais. A desvalorização do Real nos últimos tempos tem tornado as importações mais caras. O preço do trigo neste período de entressafra subiu e pode estimular os produtores a ampliar a área plantada.
O preço mínimo proposto pelo governo para a safra 2001 é de R$ 225,00/tonelada (R$ 13,50/saca), com aumento de R$ 20 por tonelada (9,76%) em relação ao preço mínimo do ano passado (R$ 205,00/t para o melhor tipo), o que não deixa de ser um fator de estímulo para a safra deste ano. Pelo dólar atual, o novo preço mínimo equivale a US$ 6,22/saca, o que representa redução de 6,9% em relação ao preço desta semana. O preço médio, em dólar por saca, recebido pelos produtores no Paraná nos últimos cinco anos (julho a dezembro) é de US$ 9,07. Portanto, o preço mínimo proposto é 31,4% inferior a essa média. Por outro lado, os preços internacionais também estão abaixo da média do período.
Entressafra
Este ano a Argentina colheu safra recorde de 16,5 milhões de toneladas e deve exportar o volume também recorde de 12 milhões de toneladas de trigo. Até dia 23 de março, 7,45 milhões de toneladas estavam comprometidas para exportação, contra 7,42 milhões no mesmo período do ano passado. Do total comprometido com o mercado externo, 3,5 milhões se destinam ao Brasil, contra 3,7 milhões em março de 2000.
Assim, a Argentina dispõe de cerca de 4,5 milhões de toneladas de trigo produzidas este ano ainda livres para comercialização. A Argentina se mantém como quarto maior exportador de trigo do mundo, atrás dos Estados Unidos (30 milhões de toneladas), Canadá (19 milhões) e Austrália (16 milhões).
Os preços internacionais têm oscilado junto com o complexo soja e milho e, no geral, se mostraram decrescentes na segunda quinzena de março. Como sempre, é o preço internacional que vai balizar o mercado brasileiro. Os produtores estariam mais contentes se o trigo estivesse mais valorizado no mercado externo.
Francisco C. Guimarães
E-mail: [email protected]

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