Agrinho envolve 1,7 milhão de estudantes
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quinta-feira, 23 de novembro de 2006
Andréa Lombardo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O alto índice de intoxicação de produtores rurais pelo manuseio inadequado de agrotóxicos foi o que motivou a criação do Programa Agrinho, há 11 anos. O trabalho, que começou tímido, abrangendo, em 1996, cinco municípios e pouco mais de 7 mil alunos, hoje é realizado em todas as escolas públicas do Paraná, envolvendo quase 1,7 milhão de escolares da educação infantil e do ensino fundamental, de 1 a 8 série. O programa é feito em parceria entre Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e Federação de Agricultura do Paraná (Faep), com apoio do governo do Estado, prefeituras, sindicatos rurais e outras instituições.
Em princípio, a idéia era repassar para as crianças orientações sobre o manuseio e armazenagem de agrotóxicos - como, por exemplo, a importância do uso de equipamentos de proteção individual (EPI) - para que elas levassem a informação para casa, lembrou o assessor econômico da Federação de Agricultura do Paraná (Faep), Carlos Augusto Albuquerque. ''A proposta deu tão certo que surgiu a idéia de ampliar para outros assuntos como higiene, saúde, prevenção ao uso de drogas'', acrescentou.
Para cada um dos macrotemas (meio ambiente, saúde, cidadania, trabalho e consumo) foram elaboradas cartilhas específicas com apoio técnico e pedagógico, que são trabalhados em sala de aula, paralelamente, às disciplinas curriculares. ''É um programa de apoio à educação e de responsabilidade social'', destacou o superintendente do Senar-PR, Ronei Volpi.
Com a ampliação, o Agrinho, além de agrotóxicos e as implicações de seu uso inadequado, passou a tratar de assuntos como solo e agricultura, mudanças climáticas, biodiversidade, desenvolvimento sustentável. Na área de saúde, são abordadas questões como alimentação e nutrição, saúde bucal, drogas, família e sexualidade. Já o tema cidadania envolve a função da família, o papel da educação e da cultura na construção da cidadania, direitos e deveres. Na parte de trabalho e consumo, são repassadas informações sobre discriminação, trabalho infantil, empreendedorismo, educação tributária e gerenciamento de resíduos sólidos.
Volpi afirmou que os temas são tratados de forma similar, no campo e na cidade. Até porque a intenção é, também, aproximar as duas realidades. ''É a forma que nós temos de levar ao menino e à menina da cidade a conscientização de que o produtor rural é uma pessoa tão nobre quanto aquela que vive no meio urbano'', apontou ele. ''Hoje, as crianças da cidade sabem que o leite vem da vaca e não da caixinha e que para produzir um leite de qualidade é preciso cuidado com animal e com a preservação do meio ambiente'', destacou.
Até agora, a única forma de avaliar os resultados do Programa Agrinho é pelo envolvimento, cada vez maior, de alunos e professores e do volume crescente de trabalhos desenvolvidos no universo escolar. ''O que percebemos, na convivência com os alunos, é que eles estão, ano a ano, mais bem informados e conscientes. Estamos ajudando a construir uma sociedade mais crítica, no sentido de cobrar direitos e deveres, e mais responsável em suas atitudes como cidadãos'', avaliou. O Senar-PR espera dispor, em 2007, de um mecanismo científico para avaliação dos resultados do programa.
A partir de 2007, o programa chegará às escolas do Paraná com algumas inovações, tanto no material didático quanto na forma de trabalho. Os professores terão à disposição dois tipos de material, um com conteúdo técnico, que envolve os temas transversais, e outro com metodologias inovadoras de ensino. A outra mudança é que o material não será mais dividido por temas e sim de acordo com a série cursada pelo aluno.


