A Federação da Agricultura do Paraná (Faep) irá pleitear o financiamento por 5 anos de 70% do valor da receita esperada de cada produtor, para tentar amenizar os efeitos da geada que atingiu o Estado ontem. Segundo o presidente do Sindicato Rural de Londrina, presidente da Comissão de Grãos da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep) e representante do Estado no Conselho Nacional de Agricultura (CNA), Edson Ponti, será realizada uma reunião na segunda-feira, em Curitiba, para discutir o encaminhamento da reivindicação e outras alternativas viáveis.
‘‘O presidente da Federação, Ágide Meneguette, está muito preocupado com a situação e nos pediu urgência no encaminhamento do assunto. Segundo ele, a proposta é de que o financiamento seria dado após perícia rigorosa de caso por caso.’’ Ponti afirmou que a liberação destes recursos seria uma forma de amenizar a situação do agricultor. ‘‘Não estamos pedindo nada de graça e é o mínimo que o Governo poderia fazer, já que houve falhas na política agrícola’’, critica.
De acordo com Ponti, embora os estragos nas lavouras estejam sendo comparados com os dos anos de 94 e de 75, as consequências desta geada para os produtores são piores. ‘‘Todos estão exauridos. Este ano houve transferência de recursos da agricultura para outros setores. Não houve financiamento suficiente nem seguro. Em 75 e em 94 o produtor, pelo menos, estava mais capitalizado’’, compara.
O produtor Wilberto Léo Janv, da região de Londrina, é um entre os inúmeros que perderam toda a produção de um dia para outro. Ele tinha 35 alqueires de milho plantado. Ontem, toda a lavoura amanheceu queimada. ‘‘A tendência é atingir mais nas baixadas, mas dessa vez foi impressionante. A geada pegou toda a lavoura, da beira do rio até as partes mais altas,’’ comenta ele.
Wilberto Janv previa, no início do plantio, colher pelo menos 150 sacas de milho por alqueire. Após um longo período de estiagem – ele chegou a pensar que perderia tudo com a seca – a chuva de uns 20 dias atrás trouxe um pouco de ânimo e um novo cálculo apontava para uma produção de 80 sacas por alqueire. ‘‘Agora não colho nada mais.’’
Ele fez o plantio com recursos próprios e calcula um prejuízo de R$ 700,00 por alqueire. ‘‘Além desse prejuízo, ainda fica comprometido o próximo plantio, devido à falta de recursos,’’ lembra ele. O produtor tem ainda dois alqueires de café e um pouco de aveia plantados. O café teve as folhas atingidas, mas os frutos não foram afetados. (Benê Bianchi)

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