Edson MazzettoEsporte e turismoPrática de esportes náuticos no lago deve atrair atenção internacional para a região da Costa OesteReunidos na noite de anteontem em Entre Rios do Oeste (110 quilômetros a oeste de Cascavel), agricultores da região do Lago de Itaipu, que terão terras desapropriadas para o projeto Costa Oeste, decidiram negociar de forma coletiva a concessão de indenizações. Eles querem evitar a discussão individual dos casos de desapropriação, pois assim teriam menos força.
A negociação coletiva será encaminhada pela comissão de agricultores formada esta semana. O projeto Costa Oeste tem como meta atrair investimentos em turismo para a região e preparar a infra-estrutura para os Jogos Mundiais da Natureza, marcados para setembro.
O Diário Oficial do Estado publicou no dia 10 de fevereiro decretos do governador Jaime Lerner (PDT) declarando de interesse social para fins de desapropriação cerca de 400 hectares de terras, em Entre Rios do Oeste, Itaipulândia, Santa Helena e Marechal Cândido Rondon. Segundo os agricultores, o Estado ainda não os procurou para discutir o assunto.
O diálogo na reunião foi aberto com a presença dos representantes da Secretaria do Esporte e Turismo, Maria Helena da Rocha Paranhos e Euclides José Vargas Netto. Eles ouviram relatos dos agricultores, preocupados com a possibilidade de que se repitam problemas gerados pela formação do reservatório da Usina de Itaipu, em 82.
As desapropriações só começaram às vésperas da formação do lago, em condições desfavoráveis para os proprietários. Muitos aceitaram indenizações com valores baixos e não puderam comprar outras terras.
‘‘É justa a preocupação de que os fatos não se repitam’’, disse o deputado Irineu Colombo (PT), presente à reunião. Maria Helena procurou tranquilizar a todos. ‘‘Os direitos serão respeitados e não haverá injustiças’’, prometeu.
Foi firmado um pacto para discussão permanente do assunto. Em abril, o governo deve apresentar uma proposta de valores para as indenizações.
Waldir Brun, dono de cerca de 170 hectares em Itaipulândia, estima o valor de cada hectare em cerca de 600 sacas de soja (R$ 15,00 por saca), considerando que se tratam de terras mecanizadas e de boa produtividade. ‘‘Ninguém é contra os projetos, mas a questão é delicada, pois tem impacto social sobre as famílias’’, alegou Brun.
Pelos decretos publicados, o Estado utilizará as áreas para bases e disputa de modalidades dos Jogos Mundiais da Natureza e poderá negociar outras com investidores, ao longo de 1,4 mil quilômetros de margens do Lago de Itaipu. Na região às margens do Lago, conhecida como Costa Oeste, os recursos naturais oferecem potencial para exploração turística. Os Jogos, marcados para o período de 27 de setembro a 5 de outubro, servirão para atrair atenção internacional para a Costa Oeste.

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