Os agricultores que ocupavam a praça central de Querência do Norte (113 quilômetros de Paranavaí) prometem instalar hoje as 40 famílias na Fazenda Sonho Real. ‘‘Mesmo que tiver resistência dos sem-terra nós vamos voltar para a área’’, disse ontem José Correia da Silva, um dos líderes dos agricultores desalojados das margens do Rio Paranapanema, na Fazenda Pontal do Tigre. Um acordo fechado no final da semana passada entre o Incra, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) e os agricultores, liberou a fazenda para 28 famílias.
Segundo Silva, apesar dos líderes do MST concordarem em ceder parte da propriedade, alguns sem-terra que estão acampados na Sonho Real não concordam com o acerto feito pelo Incra. Ele garante ainda que todas as 40 famílias serão levadas para a Sonho Real. ‘‘Não temos onde colocar o pessoal que ficou de excedente e não vamos fazer novas ocupações’’, alerta Silva.
Ontem, os agricultores (arrendatários, meeiros e posseiros) liberaram o comércio e as duas agências bancárias da cidade, que ficaram fechadas na quinta e sexta-feira. Apenas a prefeitura não teve expediente por pressão dos manifestantes. Os cerca de 200 animais que estavam na praça desde 16 de maio também foram retirados para a Vila Rural. Silva disse à Folha, por telefone, que ontem mais um boi morreu de fome. Já é o quarto animal perdido pelos agricultores.
Outro impasse do acordo fechado entre os agricultores, o MST e o Incra, alerta Silva, é que os líderes dos sem-terra não querem os animais na Fazenda Sonho Real. ‘‘Vamos respeitar essa parte do acordo, mas queremos levar o gado para nossa parte da área’’, disse. Ele adiantou ainda que espera a presença da superintendente do Incra no Paraná, Maria de Oliveira, em Querência do Norte para definir a situação de todas as famílias.
Os posseiros que ocupavam a região ribeirinha da Fazenda Pontal do Tigre, deixaram o local quando a área foi desapropriada para assentar os sem-terra. Em junho do ano passado, as 40 famílias ocuparam a Fazenda Sonho Real, junto com outros sem-terra. O Incra conseguiu desocupar a fazenda com o acordo de assentar todas as famílias que estavam no local, mas no final de 96 os sem-terra voltaram para a Sonho Real. ‘‘Nós cumprimos o acordo, e agora queremos a garantia de que seremos assentados’’, disse Silva.

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