Agricultores protestam em Curitiba distribuindo feijão
Dimitri do Valle
De Curitiba
Cerca de 50 agricultores distribuíram ontem pela manhã no centro de Curitiba aproximadamente duas toneladas de feijão. O ato realizado na Boca Maldita foi a forma encontrada pelos trabalhadores para protestar contra os baixos preços pagos pela saca do produto. Eles exigem que o governo federal aplique R$ 100 milhões para que o setor supere as perdas de 40% na safra de 99 no Paraná por causa de geadas, secas e o barateamento exagerado de atravessadores e grandes produtores.
A responsável pela Coordenação das Entidades da Agricultura Familiar no Paraná, Salete Escher, afirma que o preço mínimo do feijão, que é de R$ 28,00, não está sendo respeitado no mercado. Os agricultores estão vendendo o produto por R$ 20,00, enquanto as despesas geradas para cada saca chegam a R$ 27,00. O governo federal anunciou na quinta-feira a liberação de R$ 11 milhões para os agricultores paranaenses. O valor atenderia apenas 10% dos produtores. Os representantes dos agricultores se reuniriam com dirigentes do Banco do Brasil e Companhia Nacional do Abastecimento (Conab) para tentar rever os valores.
Mais do que distribuir o quilo do feijão na Boca Maldita, queremos sensibilizar o governo e a sociedade sobre a questão, afirma Salete. Os agricultores familiares querem que ao adquirir o produto, o governo federal estipule uma cota máxima de 50 sacas para cada família. Assim, a coordenadora espera atender o máximo de produtores possíveis. Pelo contrário, os comerciantes e grandes produtores é que sairão beneficiados, acredita.





