Para evitar apreensões e diminuir os riscos de acidentes nas rodovias da região, agricultores de Sertanópolis (Norte do Estado) querem viabilizar a construção de vias marginais onde transitariam apenas tratores e máquinas agrícolas, como por exemplo as cerca de 400 colheitadeiras existentes no município. A idéia ganhou força na semana passada depois que a Polícia Rodoviária Estadual começou a distribuir uma cartilha com as normas definidas pelo Código de Trânsito Brasileiro (CTB) para a circulação destes veículos. Após o período de esclarecimento, a Polícia deverá tomar medidas mais enérgicas.
Conforme o CTB, tratores só podem transitar em rodovias com os faróis acesos, com dispositivos de sinalização traseira e de segurança e guiados por condutor habilitado nas categorias ''C'', ''D'' ou ''E''. Implementos como arados, grades, pulverizadores, entre outros, devem ser transportados sobre carretas. Já as colheitadeiras estão proibidas de transitar em rodovias por causa de suas dimensões, que quase sempre excedem as das pistas. Elas devem ser levadas de um ponto a outro embarcadas em caminhões. Em curtas distâncias, uma viatura da Polícia deverá fazer a ''escolta''.
Desde o ano passado, a Polícia Rodoviária Estadual tem feito palestras e reuniões para orientar os produtores. Por isso, dentro de algumas semanas quem for flagrado desrespeitando as normas poderá ter seu maquinário apreendido.
O presidente do Sindicato Rural de Sertanópolis, Antônio Osvaldo Terassi, destacou que na região 90% dos produtores são pequenos agricultores que não teriam condições de arcar com os custos de transporte de suas colheitadeiras. Outro ponto comentado por ele é que muitos ou não possuem habilitação ou estão habilitados em categorias diferentes das exigidas para conduzir tratores. ''O resultado disso é que poderão sair nas rodovias fora de hora (para fugir da fiscalização), o que é mais perigoso ainda'', alertou Terassi. Segundo ele, apenas na região de Sertanópolis existiriam entre 300 e 400 colheitadeiras.
A idéia do Sindicato, que já chegou a ser levada à Polícia Rodoviária, seria a construção de uma via marginal que seria usada apenas por veículos agrícolas. A estrada de terra usaria as faixas de domínio das rodovias, cuja largura varia entre 20 e 30 metros a partir do eixo da pista.
A iniciativa foi bem recebida pela regional do Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná (DER-PR). O gerente de operações Sérgio Selvatice disse que não há impedimento para o uso da faixa de domínio. ''O problema é a execução da obra e a manutenção'', comentou, completando que obras como pontes e nivelamentos não poderiam ser arcadas pelo órgão. Ele orientou que o Sindicato envie uma correspondência à superintendência solicitando a viabilidade do uso da faixa de terra. O tenente Pedro Ramos, da Polícia Rodoviária, lembrou que o uso da margem já é realidade em algumas cidades do Paraná. ''Vejo como viável, mas depende de parceria do município com agricultores'', afirmou.
O secretário de Agricultura de Sertanópolis, Nilson Santos Garcia, adiantou que poderá conversar com o Sindicato para discutir a questão. Mas ressaltou que a cessão da faixa dependeria da concordância da Econorte, concessionária que explora rodovias na região. A FOLHA procurou a empresa mas não houve retorno até o fechamento desta edição.

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