Proprietários de terras próximas à Fazenda Boa Vista, em Abatiá (61 km a oeste de Jacarezinho), ocupada por um grupo de índios guaranis há pouco mais de um mês, estiveram ontem à tarde na Polícia Federal (PF) em Londrina, pedindo proteção para eles, para as famílias e para as propriedades. Os proprietários, a maioria pequenos produtores, temem que outras áreas sejam ocupadas pelos índios. Eles também visitaram a redação da Folha de Londrina e informaram as medidas que estão tomando para defender suas áreas, além de apresentar denúncias contra os índios que seriam encaminhadas à PF.
O grupo formado por 14 proprietários, representa 33 donos de terras, num total de 100 pessoas. Eles estão preocupados com o clima tenso no local, por causa de ameaças que estariam sendo feitas pelos índios. Na reserva, os índios negam as acusações e alegam que as ameaças partem dos proprietários, que teriam contratado pessoas para defender as terras.
Em documentos apresentados à Polícia Federal, os propreitários alegam que os próprios funcionários estariam fazendo a vigília nas áreas. ''Eles estão trabalhando em horários diferenciados para fazer a vigilância à noite'', afirmou o proprietário Adair Bueno de Godói.
Os proprietários também apresentaram vários boletins de ocorrência (BO), onde relatam ameaças contra várias pessoas, entre elas, um homem que se aproximou da aldeia e foi impedido de entrar. Ele teria sofrido ameaças, inclusive com disparos de arma de fogo, que atingiram um árvore. O caso está relatado num BO do 18º Batalhão da Polícia Militar (BPM) de Santa Amélia, no dia 14 de janeiro.
Em um dos boletins, os proprietários afirmam ter visto índios armados com espingardas, possivelmente compradas com dinheiro desviado do ICMS Ecológico, recursos do governo federal, que teriam sido desviados para esta finalidade. A acusação que foi feita à PM e seria repassada ontem à Polícia Federal para possíveis averiguações. ''Vamos provar na lei que as terras são nossas'', afirmou Clayton Taji.

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