Agricultores ocupam BB e exigem
aprovação de recursos do Fundaf
Mauro FrassonCerca de 200 integrantes do movimento Grito da Terra impediram o funcionamento de agência do Banco do Brasil para pressionar o governo federal a abrir negociações sobre o crédito ruralFundaf está parado
na Assembléia há um
ano, apesar da verba
já estar prevista
Eledovino Bassetto Junior
Especial para a Folha
Agricultores do movimento Grito da Terra Brasil, ligado à CUT, ocuparam ontem pela manhã a agência do Banco do Brasil, na Praça Tiradentes, no centro de Curitiba, em protesto pela não-aprovação de recursos do Fundo Público de Desenvolvimento da Agricultura Familiar (Fundaf) e para pressionar o governo federal a abrir negociações sobre o crédito rural.
Cerca de 200 manifestantes (100 segundo a Polícia Militar) impediram o funcionamento da agência até o meio-dia, quando se dirigiram para a Assembléia Legislativa a fim de dialogar com os deputados estaduais. O Fundaf está parado nas comissões da Assembléia há cerca de um ano, apesar de ter parecer favorável da Comissão de Constituição e Justiça e estar prevista a verba de R$ 50 milhões no Orçamento do Estado deste ano. Há, porém, um pedido de vistas do líder do governo, Valdir Rossoni (PTB), que está atrasando a votação do projeto. O Fundaf foi apresentado pelo deputado petista Péricles Melo, com apoio de outros 23 parlamentares. A tentativa de ontem seria incluir a matéria em regime de urgência urgentíssima, de modo a apressar a decisão sobre os recursos.
Efeito - Segundo a vice-presidente da CUT no Paraná, Salete Escher, o movimento avalia que este tipo de manifestação pode não surtir efeitos imediatos, em função de envolver questões federais, mas tem o objetivo de chamar a atenção da população e das autoridades. ‘‘A nossa luta é para que o governo do Estado, que está há quatro anos no poder e ainda não mostrou esforço claro para ajudar a agricultura, a não ser a propaganda do Paraná 12 Meses, tome uma iniciativa e deixe que a Assembléia vote o Fundaf’’, cobrou ela. Em sua opinião, ‘‘o governo do Estado está enrolando e só agora, na véspera da eleição, está abrindo o diálogo com os agricultores, porque estão acontecendo protestos’’.
Pedágio - O protesto de ontem de manhã também marcou a preocupação dos agricultores com a cobrança do pedágio e a privatização do Banestado. O presidente da CUT-PR, Roberto Von Der Osten, disse que o pedágio vai prejudicar os pequenos agricultores, ‘‘na medida em que haverá aumento no custo dos insumos e do transporte’’. No caso do Banestado, disse, ‘‘é fundamental que o banco continue com o financiamento da agricultura, pois essa é a uma das principais funções do Estado, que tem no banco o seu agente financiador e está presente em todos os municípios do Paranᒒ.

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