Os cerca de 1.700 agricultores de 380 municípios da região Noroeste que participaram, ontem de manhã, de uma reunião no ginásio de esportes ‘‘Noroestão’’, em Paranavaí, decidiram manter o movimento para pressionar o governo federal a rever as dívidas agrícolas. Integrantes do movimento nacional ‘‘Luta pela sobrevivência da agricultura’’, eles reivindicam a anistia das dívidas, alegando que a correção monetária sobre o saldo devedor a partir da securitização é inconstitucional e abusiva.
Participaram da reunião deputados federais e estaduais da região, além do vice-prefeito de Paranavaí, Rogério Lorenzetti. Os agricultores reclamam também do crédito insuficiente para a continuidade à atividade agrícola e denunciam falta de transparência no cálculo das dívidas.
O agricultor Gabriel Back, um dos coordenadores do movimento, afirma que os agricultores não têm condições de pagar as dívidas em função dos juros e correções abusivos. Segundo Back, a anistia é uma necessidade para restabelecer a tranquilidade no campo e dar fôlego aos agricultores. Ele lembrou ontem que as dívidas dos produtores não chegam a US$ 10 milhões. ‘‘Este valor é bem menor do que os R$ 100 bilhões que o governo federal injetou para socorrer os banqueiros’’, disse.
Back afirma que os agricultores querem pagar a dívida, mas de uma forma justa. ‘‘Não adianta falar em recálculo porque o próprio governo percebeu que, se for feito de forma justa, os agricultores terão que receber do governo pelo que pagaram a mais’’.
O agricultor Divo Vicente Marciano Enviema, 42 anos, é um dos que alega falta de condição para quitar a dívida contraída em banco. Ele disse que fez financiamento para comprar um trator e, apesar de ter pago R$ 21 mil, ainda restam R$ 85 mil para quitar a dívida. ‘‘O preço de um trator novo é de R$ 60 mil e os bancos querem cobrar até 40% a mais’’.

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