Agricultores mantêm ação pela anistia de dívidas
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domingo, 20 de julho de 1997
Lucinéia Parra Maringá 
Os cerca de 1.700 agricultores de 380 municípios da região Noroeste que participaram, ontem de manhã, de uma reunião no ginásio de esportes Noroestão, em Paranavaí, decidiram manter o movimento para pressionar o governo federal a rever as dívidas agrícolas. Integrantes do movimento nacional Luta pela sobrevivência da agricultura, eles reivindicam a anistia das dívidas, alegando que a correção monetária sobre o saldo devedor a partir da securitização é inconstitucional e abusiva.
Participaram da reunião deputados federais e estaduais da região, além do vice-prefeito de Paranavaí, Rogério Lorenzetti. Os agricultores reclamam também do crédito insuficiente para a continuidade à atividade agrícola e denunciam falta de transparência no cálculo das dívidas.
O agricultor Gabriel Back, um dos coordenadores do movimento, afirma que os agricultores não têm condições de pagar as dívidas em função dos juros e correções abusivos. Segundo Back, a anistia é uma necessidade para restabelecer a tranquilidade no campo e dar fôlego aos agricultores. Ele lembrou ontem que as dívidas dos produtores não chegam a US$ 10 milhões. Este valor é bem menor do que os R$ 100 bilhões que o governo federal injetou para socorrer os banqueiros, disse.
Back afirma que os agricultores querem pagar a dívida, mas de uma forma justa. Não adianta falar em recálculo porque o próprio governo percebeu que, se for feito de forma justa, os agricultores terão que receber do governo pelo que pagaram a mais.
O agricultor Divo Vicente Marciano Enviema, 42 anos, é um dos que alega falta de condição para quitar a dívida contraída em banco. Ele disse que fez financiamento para comprar um trator e, apesar de ter pago R$ 21 mil, ainda restam R$ 85 mil para quitar a dívida. O preço de um trator novo é de R$ 60 mil e os bancos querem cobrar até 40% a mais.


