Agricultores exigem solução para BHC
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quinta-feira, 03 de setembro de 1998
Luciane Tonon 
A maior preocupação dos agricultores da região de Cornélio Procópio tem sido o que fazer com estoques de pesticidas organoclorados como o BHC, usados para combater a broca do café. O uso destes produtos foi proibido pelo governo federal em 1985. Alguns produtores armazenam estoques há quase 20 anos e até hoje esperam pelo recolhimento.
O agropecuarista Manuel Garcia Filho, da Fazenda Santa Fé, de Cornélio Procópio, guarda em uma tulha há 19 anos 330 sacos de BHC, totalizando 6,6 mil quilos. Há oito meses ele procurou órgãos de fiscalização e foi orientado a reembalar o produto e afastar do contato humano até que a remoção seja providenciada. Eu me recuso a pôr a saúde dos funcionários em risco e investir em soluções provisórias. Quero me ver livre disso logo, afirmou Garcia Filho.
Ele disse que já pensou em inúmeras possibilidades para se livrar da carga como, por exemplo, fazer caixa de concreto para enterrá-la. Com o tempo iria me causar problemas. Qualquer rachadura poderia infiltrar no solo ou escorrer em nascentes de água, reclamou Garcia Filho. Ele lamentou ainda que não pode mais guardar grãos na tulha onde está o BHC. Até os ratos tornaram-se resistentes ao produto. Os organoclorados levam cerca de 50 anos para se degradar no meio ambiente.
O BHC é uma substância altamente nociva para a saúde caso haja contato direto ou indireto com o produto. Segundo a engenheira agrônoma Carla Maria Pereira Paiva, da Defesa Sanitária Vegetal, vinculada à Secretária de Agricultura e Abastecimento em Cornélio Procópio, o pesticida se deposita na gordura do corpo e não há nenhuma possibilidade do organismo eliminá-lo. O BHC resulta em intoxicações graves e pode provocar câncer, explicou.
A agrônoma esteve pessoalmente na propriedade de Garcia Filho juntamente com fiscais do Instituto Ambiental do Paraná (IAP). A solução definitva depende do Estado. Não tem como apreender e guardar em outro local. São vários produtores com o mesmo problema. Sabemos que já está em andamento um programa para incinerar este tipo de produto. Por enquanto, os produtores devem aguardar, esclareceu.
Estima-se que um milhão de quilos de BHC estejam armazenados clandestinamente no Paraná. Técnicos da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (Seab) não prevêem um prazo para extinção total destes estoques de pesticidas. Por medo de represálias, são poucos os agricultores que se manifestam. Infelizmente o agricultor vai ter que aguardar mais tempo por uma solução definitiva, diz o chefe de fiscalização comercial de agrotóxico da Seab em Londrina, Édson Confalter.
Segundo ele, existe um plano para se fazer um levantamento do estoque no Estado. Primeiro é preciso conseguir recolher todo o produto distribuído no Estado e local para armazená-lo. A incineração é outra empreitada a ser discutida, disse. A recomendação de Confalter é que os produtores tenham cautela ao lidar com os produtos.


