O grupo de agricultores que mora em São Mateus do Sul (120 quilômetros de Curitiba) e que pode perder suas terras para a Petrobras, que explora o xisto na região, se reuniu ontem, na sede da empresa no município, com a diretoria da estatal. Essa é a primeira reunião que acontece depois de seis meses de negociação fracassada. ‘‘Foi um passo importante pois a empresa, pelo menos, vai iniciar um processo de diálogo com os proprietários’’, afirmou o deputado federal Padre Roque (PT), que acompanha a comissão de negociação.
A empresa pretende desapropriar entre 47 a 70 famílias no prazo de três anos. No total serão atingidos 634 alqueires em um projeto de exploração da empresa para 14 anos. Está prevista uma nova reunião para a próxima semana.
Segundo um dos coordenadores do Movimento dos Atingidos pela Petrobras (MAP), Anísio Milchelski, 39 anos, o movimento não é contrário às obras da empresa, mas quer um tratamento justo. ‘‘Não podemos aceitar o que nos impõem. Temos que discutir tudo antes’’, afirmou.
Na segunda-feira começam a ser discutidas as condições em que os técnicos da Petrobras farão as análises e avaliações dos terrenos. Foi solicitado também um acompanhamento de assistentes sociais e psicólogos.
O grupo de agricultores teme que as indenizações feitas pela Petrobras sejam insuficientes para que eles possam adquirir novas áreas e assim partir para um processo de favelização. ‘‘Eles têm experiências anteriores que demonstram esse perigo’’, disse Roque. Segundo os agricultores não serão aceitas negociações fragmentadas.

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