Emerson Cervi
De Curitiba
A direção do Movimento Popular em Defesa do Asfalto da PR-092 concluiu ontem a organização da Marcha em Defesa do Asfalto, que acontece amanhã. A manifestação sai do centro de Cerro Azul, Região Metropolitana de Curitiba, às 7h e deve chegar em frente ao Palácio Iguaçu, na capital, às 10h. O trecho de 56 quilômetros da PR-092 entre os municípios de Cerro Azul e Rio Branco do Sul não é asfaltado. Esta é a única ligação dentre Cerro Azul e Curitiba e as más condições de tráfego prejudicam o escoamento da safra de poncã, principal atividade econômica do município.
A previsão dos organizadores é que o manifesto reúna cerca de 1 mil pessoas. Eles pretendem distribuir 3,5 mil quilos da fruta aos acampados do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) em frente ao Palácio Iguaçu. O maior problema dos organizadores da marcha até ontem era conseguir um interlocutor no governo para receber oficialmente as reivindicações, disse Laércio Pessaia, produtor e um dos organizadores do manifesto.
Cerro Azul tem 3,5 mil produtores de poncã, que são responsáveis por cerca de 10 milhões de caixas de 20 kg da fruta por ano. Na safra deste ano, que termina em agosto, a perda média deve ser de 60% da produção. ‘‘É mais caro o frete de Cerro Azul a Curitiba que os custos do agricultor devido às péssimas condições de tráfego da estrada’’, garantiu o presidente da Associação dos Produtores e Agropecuaristas de São Sebastião (distrito de Cerro Azul), Claudivino Hillman.
Promessas - Os organizadores da marcha dizem estar indignados com o governo Lerner. ‘‘Desde o governo Richa nós ouvimos promessas de pavimentação da estrada, mas o que Lerner fez no ano passado passou de promessa a tapeação’’, disse Hillman. Segundo o presidente da associação, em 1º de outubro de 1998, último dia para comícios eleitorais, foi montado um palanque no centro de Cerro Azul. ‘‘No meio do comício o secretário Heinz (dos Transportes) e o deputado Aníbal Khury apresentaram os donos de duas empreiteiras que iriam fazer o asfalto’’, relembrou. ‘‘Eles chegaram a assinar uma ordem de serviço para o início das obras e 15 dias depois da eleição as empresas tiraram as máquinas de Cerro Azul’’.

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