Pequenos agricultores de São Mateus do Sul (91 km a nordeste de União da Vitória) acusam a Petrobras de oferecer indenizações abaixo do preço de mercado e dificultar o diálogo nas negociações de desapropriação de terras. A estatal conseguiu, por meio de decreto presidencial, a liberação de uma área de 15 milhões de metros quadrados para expandir a exploração de xisto betuminoso - mineral de onde é extraído petróleo. Na região, moram 68 famílias que só saem se forem ressarciadas e reassentadas.
O presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de São Mateus do Sul, José Lemos Licheski, diz que os produtores rurais enfrentam outras dificuldades com a retirada do xisto, que está no subsolo. ‘‘O mau cheiro é demais e as máquinas fazem muito barulho. Quando há explosões, tem família que é obrigada a sair de casa’’, afirma. Os agricultores fundaram há um ano o Movimento dos Atingidos pela Petrobras (MAP) para representá-los nas negociações.
Licheski diz que o trabalho nas minas de xisto vem provocando um dano ambiental irreparável: o desaparecimento das reservas de água. ‘‘Depois que desagrega o subsolo (com as escavações e explosões), é impossível recuperar as nascentes.’’ A direção do Sindicato dos Petroleiros pediu a apresentação do laudo de impacto social e ambiental que a desapropriação da nova área pode causar. A representação estadual do Instituto Brasileiro do Meio-Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) deve iniciar esta semana uma investigação.
O superintendente da Petrobras no município, Dorian Luiz Buchmann, diz que as negociações só não ocorreram antes porque a empresa dependia do decreto presidencial, de 24 de agosto passado. ‘‘Só não podíamos discutir preço (de indenização) porque não era uma ocasião oportuna’’, responde. Buchmann garante que a mina tem explosões dentro das normas internacionais. Ele diz que o mau-cheiro produzido pela extração de petróleo do xisto e o barulho das máquinas estão controlados.
Sobre as explosões que obrigam a saída momentânea das famílias que moram próximo a mina, Buchmann alega que o procedimento só é adotado com o consentimento dos moradores. O superintendente menciona que explosões já foram canceladas porque os agricultores não tinham condições de deixar suas casas. Desde 1972, quando a mina entrou em operação, Buchmann diz que a retirada do xisto nunca causou danos nas propriedades dos moradores.

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