O agricultor Eugênio Veridiano, 54 anos, está vendendo o gado para alimentar as mais de 100 aves nativas e exóticas que mantêm na propriedade dele, a Chácara Recanto da Natureza, em Umuarama. A chácara é utilizada pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP) como centro de reintegração da fauna.
Os animais silvestres apreendidos em cativeiro são deixados aos cuidados de Veridiano, que aguarda desde junho o repasse de uma ajuda de custo prometida pelo IAP. A prefeitura forneceu a alimentação dos animais durante 10 meses, mas cortou a ajuda depois que o IAP anunciou a liberação de uma verba mensal para manutenção do recanto.
Graça MilanezAlunos da Unipar, que prestam assistência aos animais, examinam uma arara vermelha estressadaAficionado por pássaros, Veridiano abriga em sua chácara de seis alqueires dezenas de espécies de aves silvestres ameaçadas de extinção, entre elas um casal de emas, com cinco filhotes, dois mutuns, siriemas, araras azuis e vermelhas, jacutinga, tucano e três saguis.
O agricultor gasta por mês cerca de R$ 500,00 somente em alimentação para os bichos. A renda da propriedade, onde cria vacas leiteiras, não chega à metade dos gastos. Bancando as despesas há quatro meses, enquanto aguarda a liberação da verba do IAP, ele conta que já vendeu seis vacas para alimentar os animais.
Até meados de 97, o IAP repassava uma ajuda de custo de cerca de R$ 250,00 para o viveiro, mas a ajuda foi cortada porque era irregular. Quando o orgão anunciou que iria transferir as aves para o Parque Nacional do Iguaçu, entidades de Umuarama se mobilizaram contra a transferência. A prefeitura assumiu temporariamente as despesas até que se regularizasse a situação do viveiro.
A Sociedade de Amparo aos Animais de Umuarama (SAAU) firmou convênio com o IAP e com a Universidade Paranaense (Unipar) para administrar o viveiro. O IAP repassaria verba para alimentação e a Unipar presta assistência veterinária. Em junho, o IAP anunciou o repasse mensal de R$ 495,00, mas até agora não enviou nada. O chefe interino do escritório regional do IAP em Umuarama, João Toninato, disse que não sabe quando o dinheiro será liberado.
Veridiano sempre gostou de criar pássaros. Há 13 anos, comprou a chácara para se dedicar ao hobby e começou a receber as aves apreendidas em cativeiro pelos fiscais do IAP. Alguns, como a arara azul Rita, foram doadas por particulares. ‘‘A Rita veio de avião do Pará. Como gritava muito no viveiro, os donos ficaram com medo de serem denunciados ao IAP e resolveram me dar a arara’’, conta veridiano. Rita está no recanto há mais de seis anos. Para ganhar a liberdade tem de ser levada de volta ao seu habitat, na Floresta amazônica.

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