Agricultor se diz lesado por empresa
Lúcio Flávio Moura
De Londrina
A Procuradoria Jurídica da Universidade Estadual de Maringá (UEM) deve decidir na próxima semana se o contrato firmado entre a instituição e o produtor rural Luis Antonio Bortolassi, 45 anos, será rescindido. Bortolassi, proprietário da Fazenda Santa Rita (92 hectares), em Jaguapitã (46 km ao norte de Londrina), vendeu para a universidade um conjunto de equipamentos para beneficiamento de leite há quatro meses e ainda não pôde repassar o maquinário.
O impasse está impedindo a implantação no câmpus de um minilaticínio destinado à produção de leite tipo A. A receita da comercialização do produto seria revertida para financiar melhorias nas instalações dos cursos da área de ciências agrárias.
O produtor rural acusa a J.Stein, empresa especializada de Londrina, de um atraso de quatro anos na entrega. Ele ameaça acionar judicialmente a empresa por perdas e danos. É uma situação absurda. Estou cansado de promessas que nunca são cumpridas. Estou sendo muito prejudicado, justifica Bortolassi, que planta soja e cria gado de corte.
A última promessa da J.Stein foi feita no início de novembro. O proprietário da empresa, José Von Stein, deu um prazo de 40 dias a Bortolassi para resolver o problema. No entanto, o produtor rural ainda não recebeu os equipamentos e não está conseguindo manter contato com o empresário.
A Folha tentou por várias vezes contato com Stein. Em todas as tentativas a reportagem foi informada que ele não estava na empresa. O empresário também não deu retorno aos recados telefônicos.
Em reportagem publicada na Folha em 9 de novembro do ano passado, Stein defendeu-se afirmando que também teve prejuízo com a desistência de Bortolassi em adquirir parte dos equipamentos. Na época, justificou a demora porque tinha uma extensa lista de entregas para cumprir. Em princípio, o pedido de compra era para um conjunto de equipamentos no valor de R$ 65 mil.
Segundo o próprio Bortolassi, ele pagou apenas o sinal, de R$ 35 mil, e mediante um acordo entre as duas partes, desistiu de boa parte do maquinário em troca do cancelamento do pagamento das outras parcelas. O produtor sustenta que desistiu de montar a usina de pasteurização porque em 1995 enfrentou problemas na formação de seu plantel de vacas holandesas, provenientes do Uruguai.
Ele foi vítima da importação de filhotes infectados pelo Panela Cheia, programa estadual de melhoria genética do rebanho de pequenos criadores. Dos 30 animais comprados por Bortolassi, 25 morreram antes de completar um ano de idade. O produtor está processando o governo do Estado pelo episódio.
Através de contatos de seu filho, João Ricardo, 22 anos, estudante de zootecnia da UEM, Bortolassi conseguiu repassar os equipamentos à universidade por cerca de R$ 57 mil, divididos em 48 parcelas de R$ 1,2 mil. Durante as negociações, a J.Stein se compromenteu, inclusive, a prestar a assistência técnica do maquinário à UEM.
O contrato entre o produtor e a universidade foi firmado em 14 de setembro. O prazo de entrega previsto no documento era de 45 dias. Prorrogado por mais 45 dias (expirado em meados de dezembro), o prazo foi estendido por tempo indeterminado. Esta semana o Departamento de Compras da universidade encaminhará o contrato à Procuradoria Jurídica.Luis Antonio Bortolassi, de Jaguapitã, acusa a J.Stein, de Londrina, de um atraso de 4 anos na entrega de equipamentos
Milton DóriaCANSADO DE PROMESSASBortolassi ameaça acionar judicialmente a empresa por perdas e danos: É uma situação absurda





