Agricultor pode usar aquífero Karst
Especial para a Folha
A Superintendência de Desenvolvimento de Recursos Hídricos e Saneamento Ambiental (Suderhsa) está fornecendo outorgas, autorização de uso, para o aquífero Karst aos agricultores do município de Colombo, Região Metropolitana de Curitiba, que usam irrigação em suas lavouras. Depois de dois anos de conflitos entre produtores rurais e Sanepar, o secretário municipal da Agricultura, Abastecimento e Meio Ambiente de Colombo, Antônio Ricardo Milgioransa, acredita que só as outorgas resolverão o problema.
Cerca de 50 hortigranjeiros do município devem solicitar a autorização. Os agricultores e a Sanepar poderão usar as quantidades de água que necessitarem, sem conflito, diz Milgioransa. Doze agricultores já conseguiram a outorga. Até agora apenas a Sanepar tinha autorização oficial para usar água do aquífero.
Desde 1996, 150 mil habitantes de Colombo e região norte de Curitiba recebem água do Karst. O agricultor Izailton Cavale, que tem um sítio em Colombo, diz que perdeu 60 mil mudas de alface e couve-flor no último verão por falta de irrigação. Há dois anos as nascentes dos rios estão abaixo do nível normal, conta. Cavale deu entrada ao pedido de outorga. Quando eu tiver isso a Sanepar vai ter que me indenizar por possíveis perdas. A propriedade de Cavale tem dez hectares de área irrigada onde são produzidas 10 mil caixas de alface e 30 mil dúzias de couve-flor por ano. Para isso ele precisa de até 30 mil litros de água por hora para irrigação, três horas por dia, em períodos de estiagem.
O geólogo e coordenador geral do projeto Karst, Álvaro Amoretti Lisboa, diz que a tendência é não acontecer mais problemas geológicos como crateras ou secamento de fontes naturais na região. Existem oito poços de captação de água da Sanepar no Karst. Eles retiram 750 metros cúbicos (m3) por hora, o que representa 208 litros por segundo. Uma falha no equipamento que monitora as bombas de captação destes poços causou o rebaixamento de rios e secagem de nascentes no mês passado. A empresa tem uma outorga para operar durante 20 horas por dia. Nas outras quatro horas as bombas deveriam ser desligadas para que houvesse o reabastecimento do aquífero. O mecanismo automático não funcionou e as bombas trabalharam sem parar. Por isso houve rebaixamento dos rios da região.





