Na prática, a conotação parece não ser das mais positivas. Na origem grega da palavra, contudo, a teoria mostra que crise é, de fato, sinônimo de mudança. Que o diga o agricultor Henrique Alves da Silva, 58 anos, que em 1991 perdeu uma lavoura inteira de algodão e resolveu migrar de Uraí (26 km a oeste de Cornélio Procópio) para Londrina e mudar de vida. A transformação deu resultados: hoje ele não planta mais algodão nem tem contato com as lavouras de café em que trabalhou na adolescência, mas lida com pelo menos 130 terrenos em que cultiva alguns milhares de pés de mandioca. O detalhe é que nenhuma dessas áreas é dele, e sim de moradores da cidade
A opção pelo tubérculo, explica Silva, é em função do baixo-custo e da resistência da lavoura cujo plantio ele cobra uma única vez, mas a manutenção é mantida com mensalidades de R$ 20 pagas pelo dono da área. Se a idéia era essa, desde o início? Parece que não. ''Vim para carpir terreno, mas é muito díficil, depois de uma certa idade, arrumar emprego'', diz, ele que tem o cliente mais antigo já há quatro anos.
Além de evitar multas por roçagem cobradas pela Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), o proprietário que adere à iniciativa ainda ganha um abatimento no Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), por manter a área limpa, e a vantagem de desfrutar de uma mandioca fresquinha sempre que quiser. Aqui, as vantagens se estendem novamente a Silva, que mantém uma chácara com a esposa, doméstica, e dois filhos pequenos. ''Dá para fazer de tudo: vender, mandar para os conhecidos de bares ou entregar para o dono do lugar, nunca falta mandioca para isso'', conta.
O ''agricultor'' é discreto sobre o faturamento mensal com os 130 terrenos, mas arrisca dizer, com um certo respaldo, que a melhora na qualidade de vida foi significativa. Da condição de pedestre passou para a de duplamente motorizado, além de contratar ''dois ou três ajudantes quando a coisa aperta, em época de chuva''. ''Antes eu andava demais e chegava cansado para trabalhar; em casa, chegava mesmo era o 'bagaço', até com câimbra'', lembra, referindo-se, implicitamente, à época em que não dispunha da motoca e do caminhãozinho de segunda mão que a atividade em Londrina lhe proporcionou, nesses últimos anos.
O curioso é que, rodeado de tantos pés de mandioca, o próprio Silva pouco desfruta do vegetal no cardápio de casa. Não por falta dele, lógico. Quem tenta explicar é a esposa Débora Tarantini, 33. ''A gente planta outras coisas, como verduras e frutas, por exemplo. Pode ser até que isso se amplie'', espera. Enquanto essa nova ''crise'' não se estabelece, o marido continua no ramo atual, que pode ser contactado pelos telefones 3325-2834 ou 9114-2937.

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