Agricultor mata cunhados e sogra em Ibiporã
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quinta-feira, 20 de outubro de 2005
Vanessa Navarro<BR>Reportagem Local 
Ibiporã Tristeza e dúvida. Dois martírios que se misturaram na vida dos membros e amigos da família marcada por uma das maiores tragédias que Ibiporã (14 km a leste de Londrina) já testemunhou. O que teria levado o agricultor José Carlos da Silva a matar três pessoas de sua família, intencionar tirar a vida de tantas outras e a própria?
Foi por volta das 23h30 de anteontem que o sitiante Fidélcio Amorim Cordeiro, 65, acordou com tiros e um grito dirigido a ele: ''Dedé, socorro, pelo amor de Deus!''. Na propriedade vizinha o Sítio da Torre, às margens da estrada rural do Poço Bonito o pioneiro José Fernandes da Costa, 81 anos, andava de um lado a outro da pequena casa de madeira, com as mãos em seu rosto baleado, sem entender o que havia acabado de acontecer.
O pioneiro foi um dos únicos sobreviventes da fúria de Silva. O outro foi seu neto, Rodrigo, 27, autor dos gritos que despertaram a vizinhança. O rapaz fugiu pela janela, seminu, ao ouvir os primeiros tiros. Quando voltou com Dedé, encontrou mortos o pai, Milton Fernandes da Costa, 54, a mãe, Maria de Lurdes Fuschiani, 47, e a avó, Ermelinda Zelian da Costa, 80.
Segundo o delegado de Ibiporã, Marcos Belinati, Milton teria sido a primeira vítima. ''Ele percebeu um alvoroço entre os bichos e perguntou quem estava na porta. Quando ouviu que era seu cunhado, abriu e foi baleado'', detalhou. Maria de Lurdes, esposa de Milton, foi morta ao lado da cama quando se levantava para ver o que estava acontecendo. Dona Ermelinda, que sofria de Mal de Alzheimer, possivelmente estava dormindo quando levou um tiro no rosto, à queima-roupa.
Silva teria seguido de carro para Londrina, onde morava com a esposa e um filho no Jardim Califórnia (Zona Leste). A julgar por sua determinação, acredita-se que ele também pretendia matar os dois. Entretanto, a polícia londrinense já havia sido contatada pela da cidade vizinha e cercou a casa a tempo de evitar uma tragédia maior. Lá dentro, Silva atirou no próprio queixo com uma cartucheira calibre 44. Foi socorrido pelo Siate e até ontem permanecia em estado gravíssimo no Hospital Evangélico (HE).
Não fossem as circunstâncias, oito pessoas poderiam ter morrido na tragédia, sem contar com o próprio homicida. Uma irmã de Rodrigo que também morava no sítio teve a sorte de passar a noite fora. ''O assassino recarregou o revólver pelo menos duas vezes, tinha bastante munição'', observou o delegado.
O crime comoveu toda a comunidade de Ibiporã, onde as famílias Costa e Fuschiani são tidas como tradicionais e muito queridas. Todas as pessoas entrevistadas pela reportagem se disseram surpresas com a atitude de Silva. ''Sem explicação'', resumiu Antônio, cunhado de Silva. ''Não sei por que ele aprontou uma dessas. Era uma pessoa normal'', afirmou Marcelo Escatolin, sobrinho de Milton. Outro parente comentou que ele era ''agressivo''.
Seo Dedé, que conhecia a família há mais de 20 anos, não acredita que José da Silva tenha cometido um ato de loucura. ''Chamavam ele de 'Zé Louco', 'Zé Babão', mas não era maluco, não, só tinha um jeito agitado. Conversava com todo mundo, almoçava e jantava na casa dos sogros, recebeu muita ajuda do Milton. Teve muito sangue frio pra fazer o que fez'', concluiu.


