Agricultor ficou preso quatro dias por acusação falsa
O agricultor brasileiro Carlos Marguis, 36 anos, radicado há 28 anos no Paraguai, além de ter sua casa completamente demolida, móveis quebrados e animais desaparecidos, foi preso e agredido pela polícia paraguaia. Eles chegaram e foram derrubando tudo. Ligaram as motosserras e foram cortando as madeiras da minha casa. Não tive nem tempo de pedir uma explicação sobre o que estava acontecendo. Depois, eles me bateram e me levaram para cadeia alegando que eu teria matado uma pessoa numa cidade que eu nunca nem tinha ouvido falar. Ainda ameaçaram cortar a cabeça do meu filho que estava dormindo, contou.
Marguis afirmou ainda que, no momento da ação policial, que durou cerca de 30 minutos, os policiais roubaram a escritura das terras e alguns objetos pessoais da família. Depois que fizemos a denúncia, eles apareceram aqui e jogaram a escritura no terreno, disse. Marguis ficou preso durante quatro dias.
A mulher dele, Nelci Alves do Amaral, 33 anos, foi quem denunciou a ação da polícia paraguaia ao Consulado Brasileiro para tentar tirar seu marido da cadeia. Agora, além de perdermos tudo, estamos matando os últimos bezerros que temos para pagar o advogado do Consulado, que tirou meu marido da cadeia, afirmou. A polícia também destruiu parte das culturas agrícolas que a família tinha no local. Jogaram um líquido amarelo no arroz que já havíamos colhido. Nem o arroz podemos comer, revolta-se Nelci.
O brasiguaio Anderson Barbosa, 26 anos, que também teve sua casa destruída, disse que os policias fizeram ameaças com armas para que assinasse documentos que comprovariam que ele estava de acordo com a ordem de despejo. Não assinei e eles disseram que iam me matar. Depois foram embora. No dia seguinte, ele voltaram e destruíram tudo o que eu tinha. (Edna Mendes)





