Agricultor é multado em R$ 300 mil
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quarta-feira, 30 de agosto de 2000
Lúcio Flávio Moura Enviado a Arapongas 
O Instituto Ambiental do Paraná (IAP) irá aplicar hoje uma multa de R$ 300 mil por um incêndio florestal provocado pelo fazendeiro Antonio Baia Neto, na última sexta-feira, na junção dos municípios de Arapongas (37 km a oeste de Londrina), Sabáudia e Arapongas. Até o final da tarde de ontem os responsáveis pelo incêndio não haviam sido localizados pelo IAP.
O fogo atingiu cerca de 90 alqueires (uma área equivalente a 280 campos de futebol), segundo levantamento feito na tarde de ontem por fiscais do IAP, devastando lavouras de milho e pastagens em seis propriedades. Também foram atingidas áreas reflorestadas e matas ciliares nativas num total de 30 alqueires.
O desastre ambiental foi resultado de uma queimada irregular na pastagem que recobre uma encosta da Fazenda Itamarati, município de Sabáudia. O filho de Baia Neto, Valmir Baia, acabou confessando o crime ao capitão Dario Natan Bezerra, comandante do Corpo de Bombeiros em Arapongas e responsável pela operação de combate ao incêndio. Os dois deveriam receber a multa hoje em Marialva, cidade onde residem. Eles têm 20 dias para fazer uma defesa formal ao órgão.
Antonio Baia deve também ser responsabilizado criminalmente pelo acidente, após o Ministério Público receber a comunicação da autuação pelo IAP. Ele precisa ser punido exemplarmente. Por mais que se diga que ninguém tem a intenção de provocar um desastre como este, não se pode admitir erros tão graves quanto fazer uma queimada sem a autorização do IAP, sem aceramento, num período muito seco, em um lugar alto e com ventos fortes, disse o capitão Bezerra. Valmir teria dito que há 20 anos fazia o mesmo procedimento sem nunca ter acontecido nada. É por isso que pedimos máxima precaução. Estamos vivendo um período crítico.
Ontem mesmo o advogado Élber Davi, proprietário da Fazenda Parada Dura, a mais atingida, entrou com uma ação civil pedindo ressarcimento pelo prejuízo. A previsão é que os outros cinco proprietários que tiveram lavouras ou vegetação destruídas façam o mesmo em breve.
O arrendatário Ivan Marcos Furlan, 25 anos, lamentou a perda de cerca de mil sacas de milho (que poderia lhe render aproximadamente R$ 12 mil) parte ainda em ponto de colheita e os danos causados em sua colheitadeira (que tinha acabado de passar por uma revisão). Ele estima que deverá gastar cerca de R$ 5 mil com uma nova revisão e com a troca da bateria e assessórios de plásticos danificados com o calor das chamas (o veículo foi isolado do fogo por voluntários). O proprietário também contabiliza prejuízos de R$ 10 mil com a destruição total de uma mangueira de gado de 360 metros quadrados.
Logo depois de comunicar o fato aos bombeiros, Valmir teria tentado impedir que as chamas se alastrassem usando um trator para fazer aceramento de emergência. Sob risco de ser cercado pelo fogo, Valmir desistiu da operação pouco antes da chegada dos 12 soldados e dos três caminhões-tanques, vindos de Arapongas e Apucarana.
Os bombeiros chegaram 20 minutos após o incêndio. Eles resfriaram o solo e dirigiram o fogo para um lado onde a operação fosse feita com mais facilidade. Contaram com 30 voluntários, a maioria pequenos agricultores que foram atraídos até a área pelas impressionantes labaredas de até quatro metros de altura. Eles chegaram a provocar pequenos incêndios táticos para impedir a propagação do fogo em áreas habitadas.
O fogo começou às 14 horas justamente quando o vento partia da encosta e ia em direção ao vale. De manhã, o sentido do vento é ao contrário, e a queimada poderia ter sido mais facilmente controlada, avalia o capitão.
Quando o fogo ultrapassou com facilidade um córrego conhecido como Água do Lajeado, que faz o limite entre os municípios de Sabáudia e Arapongas, segundo testemunhas, já parecia incontrolável. Em duas horas já havia avançado cerca de 500 metros, atingindo a vegetação ao longo do Rio Pirapó (que divide Arapongas de Apucarana), ressecada pelo inverno severo e seco. Foi muita fumaça. As pessoas da cidade se assustaram e começaram a telefonar para o quartel, conta Bezerra.
Ao longo das duas margens do Pirapó, muitas árvores robustas resistiram. Porém, cerca de oito quilômetros de vegetação rasteira das margens foram dizimadas, poluindo o leito com um grande volume de cinza. Nas reservas, no entanto, o fogo não poupou nem as árvores mais altas. Os bombeiros disseram não saber ainda os prejuízos à fauna.


