Agricultor do Pará pode ser indenizado
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domingo, 22 de junho de 2003
Agência Estado 
São Paulo - Diz o projeto de lei: Fica a União autorizada a conceder indenização de R$ 52 mil a José Pereira Ferreira por haver sido submetido à condição análoga à de escravo e haver sofrido lesões corporais na fazenda denominada Espírito Santo, localizada no Sul do Estado do Pará, em setembro de 1989. O texto é um reconhecimento oficial de que existe trabalho escravo no País e o governo federal assume sua responsabilidade pela proteção das pessoas submetidas a esse tipo de humilhação. Se o projeto for aprovado no Senado, o agricultor José Pereira Ferreira será o primeiro brasileiro a ganhar uma indenização desse tipo no País.
O projeto deve ser votado amanhã. É o fim de uma angústia para Ferreira, que hoje trabalha numa fazenda em Bannach, sul do Pará.
O governo está reconhecendo a grave tragédia do trabalho escravo e que deve lutar contra isso, comemora o frei Henri Des Roziers, da Comissão Pastoral da Terra. Ele foi um dos advogados que auxiliaram no caso contra o governo brasileiro levado à Organização dos Estados Americanos (OEA).
A história do agricultor é parecida com a de milhares de trabalhadores pobres que caem nas garras de aliciadores e fazendeiros desonestos. Em 1989, ao completar 17 anos, ele quis provar aos pais que já podia trabalhar por conta própria. Saiu de sua casa em Rio Maria sem se despedir da mãe, do pai ou dos irmãos. Em Xinguara, lançou-se à sorte. Mas caiu numa das redes do trabalho escravo.
Um dono de pensão ofereceu-lhe hospedagem e comida. Pagaria quando pudesse. Já havia outros jovens na pensão. Um aliciador comprou o passe de todos e levou-os até uma fazenda. Lá, soube que só poderia ir embora quando pagasse a dívida e a comida da propriedade. Mas, ao fazer as contas, descobriu que nunca conseguiria, já que o trabalho mal pagava o que comia.
Às 3 horas de 13 de setembro, ele fugiu pela mata com um colega. Mas foram alcançados por quatro pistoleiros. O amigo foi morto e Ferreira foi baleado e só escapou porque fingiu-se de morto. O rapaz denunciou seu caso à polícia e, na presença dele, 60 trabalhadores escravos foram libertados.


