Marta Medeiros
De Maringá
Especial para a Folha
A Polícia Civil de Iguatemi, distrito de Maringá, abriu inquérito para apurar denúncia do agricultor Valter Siunitti contra o Clube de Caça e Pesca de Maringá (CCPM). Ele reclama que os projéteis disparados durante a prática de tiro ao alvo nos dois estandes do clube estariam se desviando para a sua propriedade causando risco de vida para famílias de agricultores que vivem no local. Para o gerente do CCPM, Cláudio Mantuani, o caso não passa de uma briga entre vizinhos.
O subdelegado de Iguatemi, Luiz Fernando Oliveira, que esteve ontem na propriedade de Siunitti para verificar as marcas de projéteis, disse à Folha que vai pedir um laudo do Instituto de Criminalística. ‘‘A perícia pode comprovar se há ou não desvio dos projéteis’’, afirma Oliveira. Os estandes do CCPM são utilizados por sócios e pelas polícias Militar, Civil e Federal. ‘‘Todo policial militar formado em Maringá passa por aqui para ter aulas práticas’’, garantiu o gerente Mantuani, que há 23 anos trabalha no clube.
Para Siunitti, a localização e a estrutura dos estandes colocam em risco a vida dos agricultores. Ele afirmou que os trabalhadores não permanecem nas atividades quando começam os treinamentos. ‘‘Já reclamei até para o Exército e agora vou pedir na prefeitura o cancelamento do alvará do clube’’, ameaça Siunitti. Ele mostrou diversos projéteis que recolheu na propriedade. ‘‘Os estandes são irregulares, pois encontrei muita bala espirrada e outras inteiras’’, ressaltou.
O trabalhador rural Antonio Carlos Serini, que vive na área de Siunitti, contou que, às vezes, se sente ‘‘em um tiroteio’’. ‘‘Quando começam os tiros, não arrisco, vou embora para casa’’, acrescentou Serini. Ele teme pela vida das crianças que moram no local. ‘‘Tenho medo de também levar um tiro sem mais nem menos’’.
Segundo o gerente do CCPM, o clube nunca registrou acidente por causa dos estandes de tiro. Ele mostrou um barranco com 12 metros de altura, em um dos estandes, que é utilizado para ‘‘frear’’ os chumbos dos projéteis. ‘‘Sempre tivemos problemas com o nosso vizinho por isso não me espanto com a denúncia’’, afirmou Mantuani.
Mantuani contou que o caso piorou há um ano. Segundo ele, Siunitti não cumpriu o acordo de desviar a rede de energia elétrica de sua propriedade que passa pelo clube. ‘‘Ele pediu que, em troca, o clube cortasse todos os eucaliptos plantados na divisa sob alegação de que as árvores prejudicavam sua lavoura. Nós cortamos os eucaliptos de 20 anos e ele não desviou a rede’’, lamentou o gerente.

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