O prefeito de Cascavel, Edgar Bueno (PDT), esteve no Supremo Tribunal Federal (STF) prestando informações sobre a disputa judicial envolvendo o Município e família Saraiva em torno da Praça Wilson Joffre. A procuradora do Governo do Paraná em Brasília, Márcia Leozinger, acompanhou o prefeito na visita ao STF.

A questão da praça gerou pedido de intervenção federal no Município de Cascavel, depois que o Governo do Estado não acatou a solicitação de intervenção estadual pelo não pagamento do precatório à família do comerciante Geraldo Marques Saraiva, que disputa com o Município a posse da área. A primeira sentença contrária ao Município foi proferida em 1989, fixando uma indenização à família em 534 mil OTNs (Obrigação do Tesouro Nacional), que representa algo em torno de R$ 9 milhões.

O município chegou a inserir esse valor no orçamento de 1992, mas suspendeu o pagamento depois que uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) considerou que houve fraude no processo judicial. Um dos filhos do comerciante, Osmundo Saraiva, afirma que a Procuradoria Jurídica do Município ''inventou essa questão de fraude processual, para jogar a opinião pública contra a família e não pagar o crédito''.

Os precatórios da família Saraiva não são os únicos que ameaçam o Município de Cascavel. Também está no STF um pedido de intervenção movido pela Facelpa, indústria de papel de celulose, que reivindica a propriedade de imóveis situados em frente ao Paço Municipal, no valor de R$ 3 milhões.
A Facelpa teve duas quadras de sua propriedade desapropriadas em 1978. O objetivo da municipalidade, na época, era construir o Centro Cívico, concentrando vários prédios públicos em uma mesma área. Edgar Bueno disse que há contra o Município ''um estoque de precatórios'' originados de administrações anteriores, e que ''não há recursos para pagá-los ao mesmo tempo''. Por isso, se empenha numa ampla mobilização no plano judicial para ''preservar os interesses do Município'' e, mais especificamente, contra a possibilidade de intervenção.

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