Agricultor de Arapongas é atingido por raio e sobrevive
Alexandre Sanches
De Londrina
Internado há cinco dias na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital João de Freitas, em Arapongas (37 km a oeste de Londrina), o agricultor Edivaldo Antônio Mariano, 26 anos, está intrigando a ciência. Na última quarta-feira, quando trabalhava na zona rural, recebeu um raio na cabeça, que atravessou todo o corpo, saiu nos calcanhares e atingiu a terra. Apesar de receber uma carga que normalmente mata pessoas, ele sobreviveu e está reagindo bem.
O fato só foi comunicado ontem pela direção do hospital que está surpresa. Este já é o segundo caso em que uma pessoa serve como condutora de raio na zona rural de Arapongas e sobrevive à descarga elétrica. Há pouco mais de dois anos um agricultor também recebeu um raio na cabeça, que atravessou o corpo e saiu na altura do calcanhar. Ele ficou uma semana internado no João de Freitas e se recuperou rápido das queimaduras pelo corpo. Hoje desenvolve atividades normais.
Edivaldo Mariano, além das queimaduras pelo corpo que seguem da cabeça até o pé esquerdo, está confuso. Ele quase não escuta, está sonolento e tem dificuldades em se expressar. Ele teve um trauma cranioencefálico devido ao raio e houve trauma cerebral. Ele ficará internado por mais uns dias até que possamos avaliar se terá sequelas deste acidente, comentou um dos diretores do hospital, o médico Roberto Koch.
As queimaduras pelo corpo são consideradas fracas pelo médico, apesar da sua extensão. Ele queimou o tecido subcutâneo (superfície) da musculatura. Se o raio atravessasse por dentro, poderia ter queimado os órgãos internos e o mataria, salientou. De acordo com o médico, o raio caiu na cabeça de Mariano, desceu pelo pescoço e parte da frente do corpo. Na altura do quadril ele se dividiu: na perna direita atravessou internamente e na esquerda, com ferimentos mais externos. No calcanhar direito, uma brecha é prova do local por onde o raio saiu.
O agricultor trabalhava num sítio do município, quando por volta das 7 horas começou a relampejar. Com medo dos raios, tentou se abrigar, e foi atingido. Mariano só foi encontrado duas horas depois, ainda desacordado. Ele deve ter uma alta condutividade de energia com impedância baixa, não oferecendo resistência, ressaltou o médico. Isso se deve a vários fatores, como a quantidade de líquido no organismo e de sais minerais.
Roberto Koch disse que ainda não tem uma avaliação completa dos órgãos internos afetados. Porém, garante que Edivaldo Mariano está respondendo normalmente aos estímulos. Ele deve receber alta até o final da semana.





