Agricultor corta árvores e revolta vizinho
O advogado Gilmar Tadeu Trevizan protocolou ontem na delegacia de Maringá denúncia de crime ambiental, invasão de propriedade e apropriação indébita contra o agricultor Valdemar França e o filho dele, Jorge Alberto França, acusados de derrubar árvores de espécies nativas em três propriedades de Ângulo (32 km ao norte de Maringá). Uma das propriedades é de França, a outra é arrendada e a terceria de Trevizan. Na denúncia o advogado diz que foi procurado por França há cerca de 30 dias, com a proposta de derrubar as árvores que dividem a propriedade.
Lógico que não aceitei porque as árvores não atrapalham em nada e desde que comprei a propriedade, há dois anos, já plantei mais de 7 mil mudas, disse Trevizan, indignado. Na quinta-feira da semana passada, o administrador da propriedade de Trevizan, Edilson Honorato, disse que ouviu barulho de motosserra. Quando fui verificar eram dois homens cortando as árvores da divisa, contou. No mesmo dia ele avisou Trevizan, que fez a denúncia ao Instituto Ambiental do Paraná (IAP) em Lobato.
Antes de denunciar, o advogado diz ter feito uma consulta ao IAP. Constatei que França tinha autorização para derrubar 90 pés de santa bárbara, que ficam na área dele, admitiu. Com a autorização, o agricultor derrubou mais de 100 árvores nas margens do Ribeirão Valência. Eles jogaram as raízes todas na nascente, sufocando a saída da água da mina, relatou Trevizan. Apesar de ter feito a denúncia na quinta-feira, Trevisan afirma que os fiscais do IAP só apareceram na propriedade na tarde de sábado. Deu tempo dele cortar tudo e tirar três caminhões de madeira.
Além da denúncia no IAP, Trevizan diz ter acionado a polícia porque parte das árvores de espécies nativas cortadas está na área arrendada por França e na divisa. Ele cortou espécies com mais de 40, 50 anos, vendeu a madeira que não era dele sem autorização do proprietário e derrubou trechos da minha cerca.
O agricultor Valdemar França disse à Folha que tinha autorização para cortar apenas os pés de santa bárbara, mas confessa que derrubou algumas árvores a mais. Ele justifica que na divisa cortou apenas galhos que já quebraram três escapamentos do trator e que não enterrou a nascente. Como vou fazer isso se pretendo construir uma represa lá, desconversou.
França disse ainda que as árvores de espécie nativa cortadas a mais foi engano do mateiro. O cara é surdo e mudo e não entendeu o que era para cortar, disse. O fiscal do IAP em Lobato, Lourival Sander, disse que a vistoria da área foi feita dentro do cronograma de fiscalização. Ele adiantou ainda que por enquanto não existe caracterização do crime. Notificamos o responsável e vamos levantar a área para ver o que aconteceu.





