Agricultor cai de ambulância
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 22 de outubro de 1997
Guilherme Pupo 
Curitiba
A família do agricultor aposentado José Galdino Pereira, de 65 anos, que morreu no último sábado, pretende responsabilizar a Prefeitura de Campo Largo pela morte dele. O agricultor, que morava em São Silvestre (a cerca de 60 quilômetros de Campo Largo), caiu da ambulância do SUS quando estava sendo transportado para o hospital, no último dia 13.
Segundo o cunhado de José Galdino, Amilton Oliveira, que também estava no veículo, o agricultor teria batido a cabeça e fraturado a clavícula com o acidente. A família suspeita que a queda da ambulância possa ter contribuído para a morte e está intrigada com o laudo médico.
O documento afirma que ele teria morrido em decorrência de problemas pulmonares, mas a família desconhecia que Galdino estava com a doença. Ele teria chamado auxílio médico por estar com uma forte diarréia e desidratado.
Após a queda da ambulância, ele foi encaminhado ao Hospital
e Pronto Socorro de Piraquara porque não havia vaga na rede hospitalar de Campo Largo.
No momento do acidente, o veículo transportava cinco pessoas sentadas na parte traseira.
A ambulância pertence ao município de Campo Largo e, de acordo com os familiares, estava em estado precário. Segundo a Secretaria de Saúde do município, o veículo tinha quatro anos de uso e o paciente teria caído após apoiar-se na porta.
O advogado Celso Teixeira, que está orientando a família de José Galdino, disse que poderá pedir a exumação do cadáver para verificar a causa da morte. Estamos aguardando os documentos para processar a prefeitura de Campo Largo civil e criminalmente, disse.
Segundo ele, o médico responsável pelo atendimento, Samir Ivanoski, também poderá ser processado se for comprovado que a causa da morte foi diferente do que está registrado no laudo. Procurado pela reportagem da Folha, o médico não foi localizado.


