Osmani Costa
De Londrina
O agricultor Luiz Antonio Bortolassi, 45 anos, procurou a Folha para reclamar da demora da indústria José Von Stein & Cia Ltda, de Londrina, na entrega de um conjunto de equipamentos para beneficiamento de leite, no valor de R$ 35 mil, que foi pago no início de 1996.
‘‘Ainda não calculei, mas meu prejuízo é grande. Afinal, o meu dinheiro está parado durante este tempo todo na conta daquela empresa, sem render nada para mim’’, comenta Bortolassi, que reside em Jaguapitã (46 km ao norte de Londrina).
Segundo ele, o negócio problemático teve início em dezembro de 1995, quando comprou da indústria londrinense um conjunto de equipamentos para a instalação de um laticínio. O contrato de compra e venda, no valor total de R$ 65 mil, previa o pagamento mensal parcelado. Bortolassi pagou as três primeiras prestações (R$ 35 mil) e desistiu da aquisição, por problemas que o levaram a abandonar o investimento no laticínio.
‘‘Desde então, venho tentando receber meu dinheiro de volta ou a entrega dos equipamentos, que poderia revender para outros laticínios para não perder tudo. Mas o dono da indústria veio me enrolando este tempo todo’’, reclama o agricultor, lembrando que em setembro último conseguiu vender os equipamentos de pasteurização e embalagem de leite para a Universidade Estadual de Maringá (UEM), por R$ 57.448,00 que serão recebidos em quase quatro anos em parcelas mensais de R$ 1.200,00.
De acordo com Bortolassi, o problema é que o contrato de venda para a UEM previa 45 dias para a entrega dos equipamentos, prazo vencido no final de outubro. ‘‘Agora, corro o risco de ter o negócio desfeito pela demora na entrega. Já fui procurar ajuda do Procon, mas me informaram lá que isto não é possível porque fiz a compra em nome da minha empresa. O órgão só defende os direitos do consumidor, e não da uma pessoa jurídica contra outra’’, ressalta o agricultor.
O proprietário da indústria acusada, José Von Stein, defende-se dizendo que na realidade foi o agricultor quem desistiu do negócio e nunca mais apareceu para receber os equipamentos que já havia pago. ‘‘A compra era de R$ 65 mil. Ele pagou só R$ 35 mil e depois sumiu, desistiu das máquinas e de montar o laticínio. Agora, ele vem aqui me agredindo verbalmente, exigindo a entrega imediata. Isto não é possível, porque tenho uma lista de entregas para outros clientes que não pode ser desrespeitada.’’
Segundo José Stein, ele já acertou com representantes da UEM que a entrega poderá ser feita dentro de 40 dias. ‘‘Não tem problema nenhum. O Bortolassi está nervoso sem motivo. Vou honrar o compromisso assumido e entregar tudo direitinho para a UEM. Mas não é hoje, nem amanhã. Em dezembro, entrego com certeza’’, garante o dono da indústria, que funciona em Londrina há 30 anos. Ele alega que também teve prejuízo – que não sabe precisar – pela demora na entrega dos equipamentos vendidos e com o não pagamento dos outros R$ 35 mil pelo agricultor.

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