As acusações de envolvimento de policiais civis e militares com quadrilhas que roubam carros e os transportam até o Paraguai pelo Lago de Itaipu atingem agora o tenente Durval Tavares Júnior, ex-comandante do destacamento da PM em Santa Helena (117 quilômetros a oeste de Cascavel). Quem acusa é o agricultor Reni Armando Callegaro, 36 anos, preso justamente pelo oficial e outros policiais no dia 8.
Callegaro foi colocado no final da semana passada sob custódia da Polícia Federal em Foz do Iguaçu, a pedido de seus advogados, porque estaria correndo risco de vida. Depois da prisão, o tenente entrou em férias. Ele não foi encontrado ontem pela Folha.
O agricultor diz ter sido torturado para confessar envolvimento. Sua família é dona de uma fazenda junto ao lago, por onde, segundo a PM, eram passados carros roubados em outras regiões brasileiras. Cinco automóveis seminovos foram encontrados no local, à espera de passagem. Callegaro disse em depoimento que recebia R$ 50,00 para cada carro passado - segundo a PM, seriam cerca de trinta carros ao mês. Callegaro também acusou policiais civis de participação no crime organizado.
Depois ele foi ouvido em Foz do Iguaçu pelo delegado especial designado para o caso, Eduardo Furtado Filho, do Centro de Operações Especiais (Cope), na presença de um advogado e dois promotores. O ex-delegado de Santa Helena, Natálio Barbosa, foi condenado a 6 anos de prisão por formação de quadrilha, no dia 7. No julgamento, Callegaro e outros acusados foram absolvidos. No dia seguinte, ele foi preso pela PM. ‘‘Uma grande coincidência’’, comenta a advogada.
Ana Pereira diz não haver prova de envolvimento do agricultor e relata que a PM simplesmente apresentou ‘‘na frente do destacamento’’ os cinco automóveis que teriam sido encontrados na fazenda.
Ainda segundo a advogada, Callegaro havia acusado policiais civis ‘‘na pressão’’, citando inclusive nomes fictícios ‘‘que lhe ocorreram na hora’. Os policiais Joaquim Arciso Alves, Carlos Magno Antunes e Odair Vítor da Silva estão sob prisão temporária, decretada pela Justiça de Santa Helena. Também está preso, sob a mesma acusação, o mecânico Domingos Nichetti.
Os advogados de Callegaro vão tentar sua liberação através de um pedido de habeas-corpus no Tribunal de Justiça. Uma representação pode dar entrada no Ministério Público alegando confissão sob tortura e depoimento inicial sem advogado.

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