Os baleados não são as únicas vítimas da violência em Londrina. Segundo o supervisor de estágio em fisioterapia da Universidade Norte do Paraná (Unopar), Fábio Gibertoni, há muitos casos de espancamento que resultam em paralisias e até amputação de membros. Isso sem contar o número de acidentados no trânsito.
Segundo balanços do professor, a Clínica de Fisioterapia da Unopar atende 11 baleados, 11 vítimas de acidentes de trânsitos e outras duas de diferentes causas. ''Há pouco mais de um ano um rapaz sofreu traumatismo craniano por causa de uma surra que levou em frente a um ponto de ônibus'', relembra Gibertoni. O rapaz ficou com metade do corpo paralisado.
Em casos como este, ou dos próprios baleados, Gibertoni ressalta que a falta de fisioterapia pode prejudicar ainda mais a saúde da pessoa. ''A vítima pode ter atrofia articular, feridas por não se mover e até problemas respiratórios'', explica. Além disso, as clínicas sempre trabalham o lado psicológico dos pacientes, pensando na reinserção social.
A dona de casa Maria Rezende Silva do Nascimento, de 54 anos, procurou a clínica da Unopar, logo após sair do hospital. ''Eu fui atingida por uma bala perdida'', recorda. Maria conta que foi ferida em frente a uma igreja localizada no Jardim Abussafi, na Zona Leste de Londrina. O caso aconteceu há cerca de um mês.
A dona de casa não sabe direito o que ocorreu e diz que prefere assim. ''Ninguém ouviu nada. Eu achei que tinha sido atropelada. Só no exame de Raio X que viram a bala'', relembra.
Em duas semanas de fisioterapia a dona de casa percebe que os movimentos começam a voltar aos poucos. ''Cheguei aqui na cadeira de rodas, agora já venho andando'', comemora. Mas os movimentos da mão direita ainda são raros. (C.R.)

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