Agressões emocionais e físicas
Lidiane Soares relembrou o começo da relação com Joelson Gomes Ferreira, quando ele ainda trabalhava em um depósito de gás, em Curitiba. "Me mudei para lá em 2006, para estudar Jornalismo. Era o meu sonho. Morei sozinha com a ajuda do meu pai e através de amigos em comum, conheci o Joelson", contou.
Em pouco tempo, começaram a namorar e meses depois passaram a morar juntos. "Ele era uma pessoa muito dócil, mas com o tempo foi se mostrando muito possessivo. Eu não tinha liberdade nenhuma. Ele implicava até com as roupas que eu usava. A partir disso, começaram as brigas", completou Lidiane, que deixou a faculdade por ciúmes do companheiro. "Quando parei de estudar, engravidei."
A relação foi piorando e as agressões emocionais passaram para físicas, mas Lidiane contou que não conseguiu se separar. "Eu me sentia incapaz porque ele sabia me manipular. Ele me colocava para baixo e eu tinha que acatar tudo que ele quisesse", comentou a jovem, que registrou queixa na Delegacia da Mulher. "Não dei continuidade à denúncia justamente porque me sentia acuada, além disso, eu tinha medo dele", justificou.
A família de Lidiane sabia das brigas do casal, mas sem detalhes. Um dia, Lidiane percebeu que não conseguia mais levar adiante os estudos e o trabalho. E há um ano e sete meses tomou uma das grandes decisões de sua vida. "Peguei uma muda de roupa e entrei em um ônibus com o Nicolas para Joaquim Távora. Parecia que eu estava acordando de um pesadelo. Como ele estava trabalhando, eu o avisei por telefone", lembrou.
Na casa dos pais, o celular de Lidiane não parava de tocar. Ferreira ligava todos os dias até começar ameaçá-la. "Ele falava que se eu não fosse dele não seria de mais ninguém. Passei o ano passado inteiro sendo ameaçada. Registrei boletim de ocorrência aqui, mas eu não tinha amparo nenhum."
Desde a separação, ela conta que Ferreira apareceu somente duas vezes para visitar o filho. "Eu dava liberdade total para ele ver o filho, mesmo sem pagar a pensão", ressaltou. A justificativa de Ferreira à polícia para o sequestro é a de que era proibido de ver Nicolas. (M.O.)





