Agressões e drogas preocupam escolas
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 27 de abril de 1999
Paulo Pegoraro 
A direção de uma das principais e mais antiga escola de Cascavel, o Colégio Estadual Eleodoro Ébano Pereira, de 1º e 2º graus e localizado no centro da cidade, comunicou ontem à Polícia Civil ter encontrado um artefato explosivo no interior do estabelecimento. A bomba, feita com pólvora e chumbo, teria poder letal se explodisse, segundo o perito-chefe Celestino Bger.
O estopim chegou a ser aceso, sem que ocorresse a explosão. Durante vários dias, o artefato, com cerca de 10 centímetros de diâmetro, permaneceu na gaveta da diretora Marlene Dias, que disse ontem ter imaginado se tratar de uma cebola queimada.
A notícia aumenta a preocupação entre a comunidade escolar de Cascavel, porque há informações de que traficantes de drogas estariam agindo em torno dos estabelecimentos de ensino. No Eleodoro Ébano Pereira, 40% dos três mil alunos disseram que já tiveram algum tipo de contato com drogas, segundo a diretora.
A Polícia Militar está fazendo patrulhamento especial, principalmente à noite, com policiais jovens à paisana circulando entre os alunos. O trabalho já resultou na prisão de vários distribuidores e na apreensão de drogas nas últimas semanas. Também tem sido registrados atos de vandalismo e agressões contra alunos e até mesmo professores.
O artefato explosivo encontrado no colégio tem formato parecido ao de uma cebola e está chamuscado por causa da tentativa de explodi-lo. A bomba foi localizado na noite de terça-feira da semana passada por um zelador, no pátio do colégio. No período, circulam cerca de mil alunos.
O funcionário levou o artefato à secretaria, que o repassou à diretora. Marlene Dias disse que, a princípio, não deu importância ao objeto. Porque não imaginei tratar-se de uma bomba, mas de uma cebola queimada ou coisa parecida. Por isso, colocou o artefato na gaveta de sua mesa.
Como alguns auxiliares estranharam o objeto, e observaram que havia um fiozinho - o estopim -, insistiram para que Marlene Dias avisasse a Polícia, o que ocorreu na manhã de ontem. A diretora ficou assustada quando o perito-chefe Celestino Bger alertou, após exame preliminar, que em caso de explosão a bomba poderia ferir gravemente, talvez de forma fatal, quem estivesse por perto.
Segundo Celestino, o objeto é artesanal, mas feito por quem entende do assunto. O invólucro é de papel e plástico e dentro há chumbo e pólvora em grânulos maiores que os normais, relatou. A perícia ainda está fazendo os exames definitivos no artefato.
O Núcleo Regional de Ensino prepara uma mobilização geral nas escolas, contra a violência, as drogas e a venda de bebidas alcoólicas em bares nas imediações dos colégios. A chefe do Núcleo, Marise Luvison, disse que a intenção é programar ações em cada comunidade, com participação de professores, alunos, pais, e órgãos oficiais, principalmente de segurança.
O comandante do 6º BPM, tenente-coronel Ailton Lino da Silva, informou ontem a ativação do telefone (045) 224-1242 como Disque Denúncia, para recebimento de informações anônimas de populares que possam levar à prisão de distribuidores de drogas, vândalos, autores de atos de violência pessoal e de outros crimes.


