Lúcio Flávio Moura
De Londrina
Moradores do conjunto habitacional Mutirão II, em Miraselva (61 km ao norte de Londrina), enviaram abaixo-assinado para a Secretaria Estadual de Segurança Pública pedindo exoneração do assistente de segurança (indicado político que faz a função de delegado) local.
Revoltadas com o caso de agressão policial praticado na delegacia da cidade contra o bóia-fria Otávio Alexandre, o Tavico, 49 anos, – internado (supostamente em decorrência de um espancamento) há 15 dias no Hospital Evangélico de Londrina –, 264 pessoas assinaram o documento, enviado também ao Delegado de Porecatu, Márcio Vinicius Amaro Ferreira, à Câmara Municipal e ao prefeito Guino Tonin (PFL). Anteontem, o grupo foi à Câmara Municipal e pressionou vereadores a exigir junto ao prefeito a saída do assistente de segurança José Maria Francisco Ferreira, acusado pelos manifestantes de envolvimento no episódio.
‘‘Ele não está preparado para exercer o cargo, deram poder para a pessoa errada’’, afirma a vereadora Tânia Cristina Bento, cujo nome consta no abaixo-assinado. Ela acusa o assistente de segurança de ameaçar e insultar pessoas que estão com os nomes no abaixo-assinado. ‘‘Eles têm medo de sair de casa a noite e acabar sofrendo a mesma violência que mandou o Tavico para um hospital’’, relata.
Ferreira nega as denúncias e acusa o ‘‘gato’’ Antônio Miranda da Silva, que encabeça a lista do abaixo-assinado, de querer ‘‘derrubá-lo’’ para assumir o cargo. ‘‘Além disso, quer ser vereador e está se promovendo às custas de um pobre coitado’’, rebateu.
A Polícia Civil aguarda alta de Tavico para ouvi-lo e, assim, concluir o inquérito. O delegado de Porecatu disse que os depoimentos das testemunhas não incriminam o assistente de segurança. ‘‘As acusações são apenas contra o soldado Charles Pires, único indiciado’’. Transferido para tarefas internas na sede do batalhão, em Rolândia, o PM responde a inquérito interno por abuso de autoridade.

mockup