Curitiba - Estudantes da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e entidades sociais de defesa dos direitos humanos preparam uma manifestação pública em repúdio ao espancamento de um estudante homossexual por skinheads (grupo de carecas de orientação neonazista). A data do protesto será definida em reunião que será realizada amanhã.
Segundo relato de colegas do curso de Ciências Sociais, o jovem, que prefere não ter a identidade revelada, ficou dois dias hospitalizado e terá que passar por uma cirurgia de reconstrução facial depois de ter o maxilar fraturado em dois lugares e seis dentes quebrados.
Ele foi agredido brutalmente por um grupo de cerca de dez pessoas na noite de 23 de março. Na ocasião, ele prestou queixa à polícia e realizou exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal (IML). Segundo a advogada do Grupo Dignidade (ONG que defende os direitos de homossexuais e transgêneros), Caprice Jacewicz, o rapaz não procurou a entidade para obter auxílio. Ela afirma que certamente o grupo tomará alguma medida legal em relação ao espancamento, mas ainda não sabe qual será, pois não se sabe se a vítima reconheceu algum dos agressores.
Segundo ela, no ano passado foram registrados dois casos de agressões contra homossexuais praticadas por skinheads, mas estima-se que esse número seja bem maior, já que muitas vezes as vítimas não chegam a registrar a ocorrência. ''A maioria tem medo e não chega a oficializar a denúncia'', diz. Nos últimos quatro meses, o Grupo Dignidade registrou oito agressões físicas contra homossexuais e transgêneros.

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