Curitiba - O professor Pedro Bodê de Moraes, coordenador do grupo de Estudos da Violência da Universidade Federal do Paraná (UFPR), acredita que a violência policial sempre existiu. ''A violência policial é praticada sempre contra pobres, moradores da periferia. Essa é uma prática de uma longa história no Brasil e que vem desde a escravidão'', analisa o professor.
Bodê lembra que policiais militares devem proteger os cidadãos. Entretanto, acusa, eles estão à serviço dos governos e servem apenas para proteger o Estado. ''Prova disso foi o comandante em Londrina ter dito que o que houve foi um acidente de trabalho. Ele (o ex-comandante) falou isto num lapso, mas é a mais pura verdade do que acontece. O acidente foi a morte. O trabalho é conter, agredir e até espancar para manter a ordem. Essa situação é a mesma que se reproduz desde o início do processo de militarização da polícia'', afirma.
A violência policial, segundo Bodê, se perpetua por conta do corporativismo militar que evita punições por atos de violência. ''Quando elas acontecem, os delitos praticados considerados mais sérios são participação em assaltos e tráfico de drogas''.
O professor da UFPR criticou ainda as atuais técnicas de abordagem policial. ''A abordagem policial tem que existir, mas sem o emprego da força. Quando precisa usar a força é porque a autoridade está desgastada. Os agressores precisam ser punidos exemplarmente como forma de se controlar a violência. Senão, os policiais vão continuar agredindo e a violência urbana aumentará, incentivada pela agressão policial. Quem aprende a violência, perpetua a violência'', acrescentou.(L.P.)

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