Aos 24 anos, Edmilson Cruz Andrade, morador de Bela Vista do Paraíso (Região Metropolitana de Londrina), começou a sentir cada vez mais cansado, tinha dificuldades para respirar e começou a reter líquido no abdômen. O diagnóstico foi de cardiomiopatia dilatada, quando o coração cresce mais do que o normal. A doença pode ser causada pela Doença de Chagas ou ser congênita, que foi o caso de Andrade. Poucos anos antes ele havia perdido um irmão com a mesma doença.
A única chance de cura era um transplante de coração. "Os médicos fizeram um cateterismo para checar se era apenas uma veia entupida, mas só o transplante resolveria. Com o tempo fui me sentindo cada vez mais cansado, tive que me aposentar. O coração cresceu e foi dificultando o trabalho dos outros órgãos. Nesse período tive duas paradas cardíacas e entrei duas vezes em coma", relata o jovem, hoje com 28 anos.
A boa notícia finalmente chegou em setembro do ano passado. "Estava em casa, eram seis horas, quando o médico ligou avisando que tinha um coração disponível. Ele me perguntou se eu queria mesmo fazer a cirurgia. Sem o transplante o diagnóstico era de morte, então resolvi que iria fazer. Eu só estava vivo com os medicamentos, que estavam em dose máxima", conta. Ele se recorda que uma semana antes, havia ido a uma igreja orar e pedir para que melhorasse.
O órgão veio de Foz do Iguaçu (Oeste) e depois de seis horas a cirurgia foi concluída com sucesso. Andrade conta que ainda tem restrições físicas, não pode fazer exercícios e usa medicamentos, mas o período de rejeição já passou. "Respiro normalmente e posso me alimentar também. Antes, devido à doença, eu podia tomar apenas um copo de água, porque retinha muito líquido. Agora tudo voltou ao normal", comemora.
"Quando eu aguardava pelo coração eu pensava que alguém teria que partir para que eu pudesse sobreviver. Não achava justo, por que não podiam ficar os dois vivos? Se você pensar muito nisso, você entra em depressão. Eu agradeço imensamente à família por ter doado os órgãos. Não apenas eu, mas outras pessoas também foram beneficiadas. Agora pretendo fazer faculdade de Medicina ou Enfermagem e ajudar as pessoas, assim como fui ajudado." (E.G.)

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