Agora, mulheres são combatentes
PUBLICAÇÃO
domingo, 29 de dezembro de 1996
Da Redação 
Na verdadeira guerra de libertação a que elas se dedicaram, não há território que não mereça ser conquistado. E, dentro dessa lógica, elas vão em frente. Sem medo de cara feia e dispostas a enfrentar qualquer parada, elas não recusam tarefa e já estão disputando, palmo a palmo, com os homens, em profissões nunca antes imaginadas.
Nas Forças Armadas, as mulheres, depois de muita luta, conseguiram uma brechinha. É ainda pouco, diante da predominância absoluta dos homens na caserna. Mas antes as mulheres só exerciam cargos de apoio nos círculos militares - a elas era proibido entrar nas academias. Mas as garotas foram abrindo caminho. Hoje, não só frequentam as academias como estão realizando tarefas que muito marmanjo é capaz de enjeitar.
O grande exemplo foi dado por Laura e suas companheiras. Depois de passar, com sucesso, pelo treinamento de sobrevivência na selva, estão aptas a resgatar pessoas que venham a passar pela mesma situação. Também estão prontas para ministrar o mesmo curso às mulheres que estão entrando na Academia da Força Aérea (AFA) a partir deste ano. O Exercício de Sobrevivência na Selva faz parte do currículo do Curso de Carreira de Oficiais de Intendência, agora aberto ao quadro feminino da corporação.
Irmã de um major-aviador da Força Aérea Brasileira (FAB), Laura está na Aeronáutica desde 1989, quando ganhou, através de concurso, uma das duas vagas destinadas a psicólogos para o Quadro Feminino de Oficiais. Ela diz o que a está deixando exultante:
- Pela primeira vez na história das Forças Armadas Brasileiras as mulheres estão entrando na academia, e demos o salto mais importante desse processo.
Laura Suely tem consciência do papel que ela e suas amigas estão representando dentro da instituição. E comenta:
- Em 50 anos de FAB, a academia sempre foi um ambiente restrito aos homens. Mas, se a mulher está conquistando espaço nas mais diferentes áreas, as Forças Armadas não podiam ficar de fora...
A oficial relata, com orgulho:
- Até então, nós éramos quadros de apoio, não éramos formadas para o combate direto, ir ao front, praticar o corpo-a-corpo. A partir de agora, as mulheres formadas nas academias passam a ter também a função de combatentes.
Mas ela vai mais longe nas suas reflexões. E até provoca, cheia de razão:
- Mostramos que temos condições de fazer tudo o que o homem faz.
(Apolo Theodoro)


