Duas décadas depois de Moreno e seus colegas investirem contra o Banestado e o Plano Cruzado, vítimas da ação dos assaltantes guardam histórias e traumas da ação cinematográfica da quadrilha. Como num filme em que nas horas mais impróprias brotam os sentimentos mais sublimes, Maria Helena de Sá, a Leninha, na época com 23 anos, teve um gesto de grandeza ao se oferecer para embarcar no ônibus usado pela quadrilha na fuga, no lugar de uma mulher grávida. ''Vi que ela estava em estado de gravidez adiantada e me prontifiquei. Fiquei muito preocupada, mas correu tudo bem'', conta rapidamente, sem querer mergulhar no passado.
Neide Alcântara era funcionária do Banco do Brasil e, ainda no trabalho, soube que a irmã dela, Nadir Del Vecchio (funcionária do Banestado), estava entre os reféns. Com o choque sofrido perdeu totalmente a voz, que só voltou uma semana depois. ''Foi uma sensação ruim, uma dor nas cordas vocais. Minha voz se transformou num chiado''. A agonia só terminou depois que os reféns foram liberados na Rodovia Castelo Branco. Aos 54 anos e mãe de dois filhos, Neide também não gosta de reviver o tormento. ''O que não me agrada, eu apago'', afirma.
O taxista Armando de Jesus tinha, à época, 41 anos de idade e oito de profissão sem nunca ter enfrentado um assalto. Mas, naquele 10 de dezembro, foi a primeira vítima dos ladrões. Logo depois de iniciar a corrida para Moreno, passou em um hotel para apanhar mais dois assaltantes e seguiu para o antigo Armarinho Paulista, no centro da cidade, onde os bandidos roubaram mais armamentos. O taxista então foi rendido pelo trio e obrigado a dirigir até o banco, o atual Itaú do Calçadão.
Apavorado, Armando viu a quadrilha entrar no banco, um vigilante ser baleado e perdeu a memória. ''Não sabia o que fazer, fiquei uns três minutos dentro do carro, vi o guarda caindo e depois larguei o carro funcionando, no meio da rua.''

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