Paulo Ubiratan
De Londrina
O delegado do 6º distrito policial de Londrina, Eurico Hummig Filho, já identificou os oito presos que teriam liderado o linchamento que culminou com a morte do catador de papel Ademir Justino da Silva, 21 anos, conhecido por ‘‘Doido’’. O delegado não quis revelar os nomes para não prejudicar os depoimentos que deverão ser prestados hoje.
Eurico Hummig, que preside o inquérito policial para apurar o linchamento, disse que já foram ouvidas 15 pessoas. Entre os depoentes estavam os agentes de segurança José Roberto Ferreira e Adenilson Garbelini. Eles assumiram a responsabilidade de ter tirado o catador de papéis do quadrante (hall de entrada para o corredor das celas) e o levado para cela 8 onde iniciou a pancadaria. ‘‘Doido’’ era acusado de ter assassinado e estuprado a menina Greice Carolina da Silva Melo, 5 anos.
Na sexta-feira, após prestar depoimento e confessar o crime, o preso foi levado do 2º Distrito Policial (DP) para a Prisão Provisória por medida de segurança. Na ocasião, o então diretor da Prisão Provisória, investigador Carlos Nadalim, teria dado a ordem para que ‘‘Doido’’ ficasse no quadrante (hall de entrada do corredor das celas) e não fosse colocado nas celas. No entanto, segundo Hummig, a ordem foi descumprida pelos agentes Ferreira e Garbeline, ao assumir o serviço, por volta das 8h30 de sábado.
Em seus depoimentos ao delegado Hummig os agentes alegaram que somente fizeram a transferência para a cela 8, após terem a absoluta certeza de que os presos naquela cela não fariam nenhum mal ao catador de papel.
Outro fato alegado por eles para fazer a transferência foi a falta de segurança no quadrante, que fica perto da porta de saída da prisão. Além disso, a porta corrediça do quadrante é facilmente deslocada dos trilhos permitindo a fuga. Nadalim diz ter estranhado a atitude de seus agentes.
‘‘Por volta das 20 horas (de sexta-feira) eu recebi o preso e mandei deixá-lo algemado no quadrante e que somente fosse transferido para outro lugar por minha ordem. Eu sabia que ele poderia ser morto, pois todo o estuprador de criança é vingado com a própria vida’’, afirmou o diretor Nadalim.
No depoimento, Nadalim diz que, no dia seguinte, por volta das 7h30, ligou de casa para a Prisão Provisória e soube que a situação era calma e que ‘‘Doido’’ continuava algemado no quadrante. Na sequência foi para a sede da 10ª Subdivisão Policial (SDP), onde pretendia falar com delegado-chefe Wanderci Corral Fernandes, sobre a situação do preso e a possibilidade de levá-lo a um lugar mais seguro. No entanto, ele disse que recentemente estiveram presos na Prisão Provisória três acusados de estupro e nada aconteceu a eles. O diretor contou que soube do lichamento quando esperava para conversar com o delegado Wanderci.
Segundo a versão dos agentes, eles foram dominados pelos presos que iam para solário. A cela 8 teria sido aberta por mais de vinte presos. ‘‘Doido’’ foi tirado da cela e arrastado pelo corredor recebendo pontapés e socos. Um preso que foi transferido ontem contou que o catador de papel gritava e tentava se defender, até perder o sentidos. Doido morreu antes de receber atendimento no Hospital Universitário, para onde foi levado.
Os familiares da vítima ameaçam acionar o governo do Paraná, pelo fato dele ter morrido estando sob a responsabilidade do Estado. Nadalim deve ser substituído na direção da Prisão Provisória pelo delegado de Jataizinho, Antônio Zuba de Oliva.

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